Tenofovir Alafenamide

Nível de evidência: L4 Indicações previstas: 3

Índice

  1. Tenofovir Alafenamide
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Tenofovir alafenamida: Do tratamento de infecções por HIV à infecção pelo vírus da imunodeficiência símia
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Tenofovir alafenamida: Do tratamento de infecções por HIV à infecção pelo vírus da imunodeficiência símia

Resumo em Uma Frase

Tenofovir alafenamida (TAF) é um pró-fármaco do tenofovir, inibidor nucleotídico da transcriptase reversa, originalmente usado em associações antivirais para o tratamento de infecções por HIV. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para infecção pelo vírus da imunodeficiência símia (simian immunodeficiency virus infection), atualmente com 0 ensaios clínicos e 8 publicações (todas pré-clínicas) apoiando esta direção.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Associações de antivirais para o tratamento de infecções por HIV
Nova Indicação Prevista Infecção pelo vírus da imunodeficiência símia (simian immunodeficiency virus infection)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,89%
Nível de Evidência L4
Situação no Mercado Brasileiro Apenas registros cancelados
Número de Registros 4 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação na base compilada. Segundo informações conhecidas, o TAF é um pró-fármaco do tenofovir que entrega eficientemente tenofovir difosfato às células linfoides e atua inibindo a transcriptase reversa viral. Sua eficácia contra o HIV-1 é conhecida, e mecanisticamente pode ser aplicável ao vírus da imunodeficiência símia (SIV).

O SIV e o híbrido SHIV são lentivírus aparentados ao HIV e dependem da transcriptase reversa para se replicar, o que torna plausível a atividade do TAF. As publicações disponíveis são estudos em macacos e em camundongos humanizados sobre profilaxia pré-exposição (PrEP), profilaxia pós-exposição e tratamento.

Ponto de atenção: o SIV/SHIV é, na prática, um modelo de pesquisa para o HIV, e não uma indicação humana distinta. As evidências sustentam a relevância translacional para o HIV, mas não sustentam uma nova indicação clínica em humanos. Os desenhos e desfechos dos estudos foram inferidos a partir de títulos e resumos truncados e precisam ser verificados nos textos completos.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Evidências da Literatura

Todos os estudos abaixo são pré-clínicos (macacos ou camundongos humanizados).

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
27465645 2016 Estudo animal pré-clínico (macaco) J Infect Dis Combinação oral de emtricitabina + TAF avaliada como PrEP contra infecção retal por SHIV em macacos
31362305 2019 Estudo animal pré-clínico (macaco) J Infect Dis TAF isolado ou combinado com emtricitabina testado contra infecção vaginal por SHIV em exposições repetidas
35913838 2022 Estudo animal pré-clínico (implante, macaco) J Antimicrob Chemother Segurança e eficácia de implante biodegradável de policaprolactona com liberação de TAF para PrEP vaginal
38134382 2024 Estudo animal pré-clínico (macaco) J Infect Dis Inserções vaginais de TAF/elvitegravir: proteção pós-exposição estendida contra SHIV (proteção de 93% e 100% quando aplicadas 4 horas antes ou depois da exposição, em estudo prévio)
39632836 2024 Estudo animal pré-clínico (macaco) Nat Commun Emtricitabina/TAF oral com cabotegravir/rilpivirina de ação prolongada, iniciados precocemente, em macacos infectados com RT-SHIV, visando remissão viral
39559349 2024 Desenvolvimento de modelo animal (camundongo humanizado) Front Immunol Modelo de camundongo humanizado de uso duplo para testar estratégias antivirais contra SIV e HIV
41342257 2026 Estudo animal pré-clínico (inserto tópico, macaco) J Infect Dis Insertos retais de TAF/elvitegravir conferiram proteção pós-exposição parcial (82,9%) contra SHIV
31730629 2019 Metodologia pré-clínica (macaco) PLoS One Protocolo de treinamento de macacos-rhesus para tomar antirretrovirais orais diariamente, com alta adesão

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os registros abaixo constam como cancelados; atualmente não há registro válido.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 109290006 VEMLIDY Não informada Não informada
Registro nº 109290007 DESCOVY Não informada Associações de antivirais para o tratamento de infecções por HIV
Registro nº 109290008 BIKTARVY Não informada Não informada
Registro nº 112363434 SYMTUZA® Não informada Associações de antivirais para o tratamento de infecções por HIV

Considerações de Segurança

  • Interações Medicamentosas: a consulta de interações foi concluída e identificou apenas uma entrada de farmacologia, sem classificação de gravidade: o TAF tem como alvo o receptor de sabor amargo TAS2R39 (humano). Não há interação medicamentosa clinicamente classificada nos dados compilados.

Para demais informações de segurança (advertências e contraindicações), consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • As evidências são exclusivamente pré-clínicas (L4), com modelos de SIV/SHIV em macacos que representam pesquisa translacional sobre o HIV, e não uma nova indicação em humanos. Além disso, não há registro válido do produto no Brasil no momento.

Para prosseguir, é necessário:

  • Esclarecer se o objetivo é um uso humano novo; se não for, tratar o resultado como validação de modelo para HIV, e não como reposicionamento.
  • Obter e analisar as advertências e contraindicações da bula na ANVISA.
  • Obter dados detalhados do mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
  • Verificar nos textos completos os desenhos e desfechos dos estudos em macacos.
  • Confirmar a situação regulatória atual no Brasil, já que todos os 4 registros estão cancelados.

Observação: as demais previsões do modelo (síndrome de imunodeficiência adquirida felina e um transtorno do neurodesenvolvimento com marcha atáxica, ausência de fala e redução da substância branca cortical) não têm ensaios nem literatura nos dados compilados e são nível L5. A primeira é uma indicação veterinária fora do escopo humano, e a segunda não tem vínculo mecanístico identificado e provavelmente é um artefato do grafo de conhecimento. Ambas permanecem em Hold.

Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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