Rifampicin

Nível de evidência: L3 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Rifampicin
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Rifampicina: De tuberculostático para conjuntivite
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Observações sobre Outras Indicações Previstas
    10. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Rifampicina: De tuberculostático para conjuntivite

Resumo em Uma Frase

Rifampicina é um antibiótico da classe das rifampicinas, originalmente usado como tuberculostático (tratamento da tuberculose). O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para conjuntivite (conjunctivitis), atualmente com 0 ensaios clínicos e 19 publicações recuperadas nesta direção, quase todas de baixo nível de evidência (estudos de suscetibilidade microbiológica, relatos de caso e revisões antigas).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Rifampicinas / Tuberculostáticos (classificação terapêutica constante nos registros)
Nova Indicação Prevista Conjuntivite (conjunctivitis)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,95%
Nível de Evidência L3
Situação no Mercado Brasileiro Somente cancelados (nenhum registro válido)
Número de Registros 5 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nas informações compiladas. Segundo informações conhecidas, a rifampicina inibe a RNA polimerase DNA-dependente bacteriana e tem atividade ampla contra bactérias Gram-positivas, Chlamydia e Staphylococcus. Sua eficácia na tuberculose está bem estabelecida.

A conjuntivite bacteriana e o tracoma são causados justamente por patógenos sensíveis à rifampicina (Staphylococcus, Chlamydia trachomatis, Corynebacterium). Por isso, a previsão do modelo é plausível do ponto de vista antibacteriano.

Há, porém, limitações importantes: as evidências são antigas e indiretas, e a conjuntivite costuma ser viral ou autolimitada, com tratamentos tópicos de primeira linha já disponíveis. A previsão também aparece duplicada na lista (“conjunctivitis” e “conjunctivitis (disease)”), com o mesmo conjunto de literatura.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
1096630 1975 Estudo clínico controlado Am J Ophthalmol Pomada de rifampicina 1% (76 pacientes) vs tetraciclina 1% vs ácido bórico no tracoma endêmico na Tunísia, por 10 semanas
322700 1977 Ensaio aberto (63 pacientes) Br J Ophthalmol Pomada de rifampicina 1% vs cloranfenicol em infecção ocular por C. trachomatis; 3 semanas insuficientes, 6-7 semanas deram cerca de 90% de cura clínica e microbiológica
5005929 1971 Revisão Ann Ophthalmol Revisão sobre a rifampicina (sem resumo disponível)
33457332 2020 Estudo de suscetibilidade Adv Biomed Res Etiologia bacteriana e suscetibilidade a antibióticos em isolados de conjuntivite no Irã
30347565 2018 Estudo de suscetibilidade Zhonghua Yan Ke Za Zhi Tipagem genética e suscetibilidade de S. aureus de ceratite/conjuntivite
21191558 2010 Estudo de suscetibilidade Rev Esp Quimioter Suscetibilidade de Corynebacterium macginleyi causador de conjuntivite
8363150 1993 Estudo de coorte microbiológico An Esp Pediatr 50 amostras de conjuntivite neonatal; alta sensibilidade à maioria dos fármacos testados
3191080 1988 Relato de caso Br J Ophthalmol Abscessos corneanos marginais associados a oftalmia clamidiana do adulto
39336466 2024 Relato de caso Medicina (Kaunas) Síndrome oculoglandular de Parinaud com DNA de Bartonella detectado em córnea e conjuntiva
1247775 1976 Carta/relato Br Med J Toxicidade ocular da rifampicina (sem resumo disponível)

Informações de Comercialização no Brasil

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro 183260374 (cancelado) RIFALDIN Não informada Rifampicinas
Registro 112080026 (cancelado) RIFAMPICINA Não informada Rifampicinas
Registro 110390016 (cancelado) FURP-RIFAMPICINA Não informada Rifampicinas
Registro 110630139 (cancelado) FARMANGUINHOS ISONIAZIDA + RIFAMPICINA Não informada Tuberculostáticos
Registro 110630140 (cancelado) FARMANGUINHOS RIFAMPICINA+ISONIAZIDA+PIRAZINAMIDA+ETAMBUTOL Não informada Tuberculostáticos

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (grafo de conhecimento, não texto de bula): o grafo de conhecimento do modelo associa a rifampicina a doenças como insuficiência hepática e hepatite, porfiria, doença da vesícula biliar, trombocitopenia, neutropenia e agranulocitose, anemia (incluindo aplástica e pancitopenia), neuropatia periférica, diabetes mellitus e cetoacidose diabética, gota, transtornos de ansiedade e distímicos, abuso/dependência de substâncias, acetilação lenta e meningite não infecciosa. Esses itens exigem confirmação na bula.
  • Interações Medicamentosas: foram identificadas 256 interações, entre as quais as de nível moderado com rabeprazol, omeprazol, doxiciclina, claritromicina, metronidazol, metformina, pioglitazona, canagliflozina, clorpropamida, bupropiona, aprepitanto, morfina, dexametasona, betametasona, hidrocortisona, triancinolona, colecalciferol, calcifediol e calcitriol. A rifampicina é um potente indutor enzimático (CYP3A4 e P-gp), o que reduz a exposição a muitos fármacos coadministrados.
  • A toxicidade ocular da rifampicina também aparece na literatura recuperada (BMJ, 1976), ponto relevante para uso tópico ocular.

As advertências e contraindicações da bula da ANVISA não estavam disponíveis nos dados compilados; consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • Não há ensaios clínicos registrados e a evidência é limitada a dois estudos tópicos antigos (1975 e 1977, focados em tracoma e infecção por clamídia) e dados de suscetibilidade. Além disso, não há nenhum registro válido no Brasil, e existem alternativas tópicas de primeira linha já consolidadas.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar as advertências e contraindicações da bula na ANVISA (lacuna bloqueante para a triagem de segurança).
  • Complementar os dados de mecanismo de ação via DrugBank.
  • Definir a viabilidade de uma formulação oftálmica tópica, pois não há dados de forma farmacêutica nos registros (todos cancelados).
  • Realizar revisão sistemática do uso ocular de rifampicina (tracoma, clamídia, conjuntivite bacteriana) e comparar com os tratamentos atuais.
  • Avaliar o risco de resistência (uso reservado para tuberculose) e as interações medicamentosas.

Observações sobre Outras Indicações Previstas

  • Acne (disease), 99,74%, L3: a evidência recuperada refere-se sobretudo à hidradenite supurativa (acne inversa), em que a combinação clindamicina + rifampicina é usada. Para acne vulgar, a evidência é indireta. Recomendação: Hold, com atenção à interação com contraceptivos orais.
  • Artrite reumatoide, 99,45%, L3: estudos pequenos dos anos 1980-1990 mostraram benefício limitado e inconsistente; o único ensaio registrado é de farmacocinética (Fase 1). Recomendação: Hold.
  • Infecção pelo HIV, 99,59%, L1 (ressalva): os ensaios de Fase 3 tratam da tuberculose em pacientes com HIV, ou seja, a indicação original em uma subpopulação, e não ação anti-HIV da rifampicina. Não constitui reposicionamento real.
  • Neoplasia endócrina múltipla, transtorno do neurodesenvolvimento raro, conjuntivite contagiosa aguda, infecção por SIV e síndrome da imunodeficiência adquirida felina: sem evidência clínica relevante e sem justificativa mecanística plausível. Recomendação: Hold.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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