Promethazine

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Promethazine
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Prometazina: De anti-histamínico sistêmico para rosácea conjuntivite (conjuntivite associada à rosácea)
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Prometazina: De anti-histamínico sistêmico para rosácea conjuntivite (conjuntivite associada à rosácea)

Resumo em Uma Frase

Prometazina é um anti-histamínico H1 de primeira geração com atividade anticolinérgica, registrado no Brasil como anti-histamínico sistêmico, antialérgico tópico e analgésico não narcótico. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para conjuntivite da rosácea (rosacea conjunctivitis), mas não há ensaios clínicos nem publicações apoiando esta previsão específica. Entre as demais previsões, a urticária alérgica (6 publicações indiretas) e a rinite (13 publicações, em geral antigas) são as mais respaldadas e representam, em grande parte, usos já conhecidos do fármaco.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Anti-histamínicos sistêmicos
Nova Indicação Prevista Conjuntivite da rosácea (rosacea conjunctivitis)
Pontuação de Previsão TxGNN 98,94%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Apenas registros cancelados
Número de Registros 11 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Observação: a indicação de maior pontuação (conjuntivite da rosácea) tem o menor respaldo de evidências. As indicações com maior suporte da literatura estão detalhadas nas seções seguintes.

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, a prometazina é um antagonista do receptor H1 de histamina com atividade anticolinérgica e sedativa, e sua eficácia em condições alérgicas é consolidada. Mecanisticamente, pode aliviar prurido e inflamação da superfície ocular de origem alérgica.

Para a conjuntivite da rosácea, porém, a relação é frágil. Essa condição é impulsionada principalmente pela disfunção das glândulas de Meibômio e por inflamação, não pela histamina. Um anti-histamínico ofereceria, no máximo, alívio sintomático do prurido. Não foram encontrados ensaios ou literatura que sustentem esse vínculo, e a previsão baseia-se apenas na pontuação do modelo.

Outras previsões seguem a mesma lógica. Na urticária alérgica, o bloqueio H1 atua diretamente no mecanismo central (pápula e prurido); trata-se mais de uma "redescoberta" de uso existente do que de reposicionamento genuíno. Na rinite, o bloqueio H1 reduz espirros, coriza e prurido, e a prometazina é usada há décadas para isso, embora a sedação e o prejuízo psicomotor a tornem menos favorável que os anti-histamínicos de segunda geração.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados para a indicação principal (conjuntivite da rosácea), nem para as demais indicações previstas.

Evidências da Literatura

Não há literatura relacionada à indicação principal (conjuntivite da rosácea). As tabelas abaixo apresentam as publicações das indicações previstas com maior respaldo, a título de contexto.

Urticária alérgica (previsão nº 2, nível L4)

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
22130869 2012 Estudo farmacodinâmico controlado (duplo-cego, cruzado, em voluntários saudáveis) Archives of Dermatological Research Compara prometazina, fexofenadina e olopatadina quanto à função psicomotora e às reações de pápula e eritema induzidas por histamina
26844217 2016 Auditoria retrospectiva Asia Pacific Allergy Manejo de anafilaxia em serviço de emergência comparado às boas práticas (evidência indireta)
1453998 1992 Série de casos Medical Journal of Australia Sete casos de intoxicação escombroide (evidência indireta)
19797416 2010 Relato de caso Japanese Journal of Clinical Oncology Dessensibilização a sunitinibe em paciente com GIST (evidência indireta)
15861 1977 Relatório farmacológico Farmakologiia i Toksikologiia Estudo de outro anti-histamínico (fencarol) em comparação com a prometazina

Rinite (previsão nº 4, nível L3)

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
12113215 2002 Revisão Clinical Allergy and Immunology Anti-histamínicos H1, inclusive de primeira geração como a prometazina, têm efeitos antialérgicos e anti-inflamatórios
24791618 2014 Estudo farmacodinâmico controlado Clinical Neurophysiology Sonolência e respostas motoras com doses diárias consecutivas de prometazina e loratadina
22130869 2012 Estudo farmacodinâmico controlado Archives of Dermatological Research Ver acima
568438 1978 Relato clínico Annals of Allergy Eficácia e segurança de longo prazo da prometazina em 40 crianças pré-escolares com rinite crônica
13593960 1958 Série de casos AMA Archives of Otolaryngology Relato preliminar de 66 pacientes com otite média secretora e alergia nasal tratados com prometazina
14175878 1964 Revisão Canadian Medical Association Journal Tratamento da rinite alérgica
1841552 1991 Estudo in vitro Arch Immunol Ther Exp Ligação de antagonistas H1 (prometazina) e H2 a linfócitos de indivíduos atópicos e saudáveis

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 11 registros encontram-se cancelados.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro 186200005 Fenergan Não informada Anti-histamínicos sistêmicos
Registro 102980042 Pamergan Não informada Anti-histamínicos sistêmicos
Registro 105710132 Promergan Não informada Antialérgicos tópicos
Registro 186200003 Cremefenergan Não informada Anti-histamínicos sistêmicos
Registro 125680333 Cloridrato de Prometazina Não informada Anti-histamínicos sistêmicos

Há ainda outros 6 registros cancelados (Cloridrato de Prometazina, Prometazol, Profergan, Lisador, Doriless e Dorilen), incluindo associações indicadas como analgésicos não narcóticos.

Considerações de Segurança

  • Interações medicamentosas: foram identificadas 100 interações no total. As de gravidade maior incluem bupropiona e citrato de potássio. As demais são de gravidade moderada, entre elas: anticolinérgicos (atropina, hioscina, glicopirrônio), opioides (morfina, loperamida), epinefrina, claritromicina, famotidina, laxantes de preparo intestinal (picossulfato, polietilenoglicol) e antidiabéticos (acarbose, metformina, clorpropamida, canagliflozina, dapagliflozina, alogliptina, albiglutida).
  • Sedação e prejuízo psicomotor: descritos nos estudos comparativos com anti-histamínicos de segunda geração, o que limita a atratividade do fármaco em indicações crônicas.

Para advertências e contraindicações, consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A indicação principal prevista (conjuntivite da rosácea) tem apenas pontuação do modelo (nível L5), sem ensaios nem literatura, e o mecanismo não é primariamente histamínico. Além disso, todos os registros brasileiros estão cancelados.
  • As indicações com mais respaldo (urticária alérgica e rinite) são em grande parte usos já conhecidos do fármaco e, por isso, não configuram reposicionamento novo. Podem ser tratadas como questões de pesquisa, mas enfrentam a concorrência de anti-histamínicos de segunda geração, com menos sedação.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter advertências e contraindicações da bula na ANVISA (lacuna bloqueante para a triagem de segurança)
  • Obter dados de mecanismo de ação (DrugBank)
  • Realizar revisão de literatura direcionada à conjuntivite da rosácea e a conjuntivites alérgicas
  • Confirmar a situação regulatória atual e a viabilidade de uma nova submissão, já que não há registros vigentes
  • Avaliar a compatibilidade de via de administração (por exemplo, formulação oftálmica) e o perfil de sedação frente às alternativas de segunda geração

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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