Ofloxacin

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Ofloxacin
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Ofloxacino: De antiinfeccioso a polyclonal hyperviscosity syndrome (previsão do modelo, sem evidências)
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Ofloxacino: De antiinfeccioso a polyclonal hyperviscosity syndrome (previsão do modelo, sem evidências)

Resumo em Uma Frase

Ofloxacino é um antibiótico fluoroquinolona, registrado no Brasil como antiinfeccioso (inclusive de uso oftálmico tópico) e antibiótico sistêmico simples. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para a síndrome de hiperviscosidade policlonal (polyclonal hyperviscosity syndrome), mas a previsão não tem nenhum ensaio clínico nem nenhuma publicação que a sustente. Entre as 10 previsões analisadas, a mais bem sustentada por dados é a peste septicêmica (septicemic plague), com 11 publicações pré-clínicas (estudos in vitro e em animais).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antiinfecciosos
Nova Indicação Prevista Polyclonal hyperviscosity syndrome (síndrome de hiperviscosidade policlonal)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,91%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Apenas registros cancelados
Número de Registros 8 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Observação: as 10 previsões têm pontuações muito próximas (99,56% a 99,91%), então a posição no ranking do modelo não distingue bem a plausibilidade biológica. A previsão de maior pontuação é puramente baseada no grafo. A tabela abaixo resume as demais previsões.

Posição Indicação prevista Pontuação TxGNN Nível Recomendação
1 Polyclonal hyperviscosity syndrome 99,91% L5 Hold
2 Hiperamilasemia (hyperamylasemia) 99,91% L5 Hold
3 Analbuminemia congênita 99,90% L5 Hold
4 Incompatibilidade de grupo sanguíneo 99,86% L5 Hold
5 Doença hematológica pré-maligna 99,84% L5 Hold
6 Gamopatia monoclonal 99,82% L5 Hold
7 Doença hematológica associada a neuropatia periférica adquirida 99,80% L5 Hold
8 Peste septicêmica 99,79% L4 Questão de pesquisa
9 Distúrbio hematológico congênito 99,72% L5 Hold
10 Ceratoconjuntivite epitelial punctata 99,57% L4 Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação no material compilado. Segundo informações conhecidas, o ofloxacino é uma fluoroquinolona que inibe a DNA girase e a topoisomerase IV bacterianas, e sua eficácia antibacteriana está estabelecida.

Para a previsão principal (síndrome de hiperviscosidade policlonal), não há vínculo mecanístico plausível: o ofloxacino não tem efeito conhecido sobre a viscosidade sérica nem sobre a elevação policlonal de imunoglobulinas. A pontuação alta reflete apenas conexões no grafo de conhecimento. O mesmo vale para hiperamilasemia, analbuminemia congênita, doenças hematológicas e gamopatia monoclonal. Para a doença hematológica associada a neuropatia periférica, as fluoroquinolonas podem causar neuropatia periférica como efeito adverso, o que contraria a hipótese de benefício e levanta preocupação de segurança.

Duas previsões têm algum respaldo biológico, ambas como extensão do uso antibacteriano já conhecido, e não como um novo mecanismo:

  • Peste septicêmica: Yersinia pestis é sensível às fluoroquinolonas in vitro, e há estudos em camundongos e em outros animais com ofloxacino em peste pneumônica e bubônica experimental.
  • Ceratoconjuntivite epitelial punctata: o ofloxacino já é usado como antibacteriano oftálmico, então o uso na superfície ocular é plausível para tratar ou prevenir infecção bacteriana secundária. Muitos casos, porém, são virais ou alérgicos, nos quais antibacterianos não oferecem benefício primário.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados para a previsão principal nem para as demais previsões analisadas.

Evidências da Literatura

Para a previsão principal (síndrome de hiperviscosidade policlonal), atualmente não há literatura relacionada. Para as demais previsões, a literatura recuperada é a seguinte (até 10 publicações mais relevantes, priorizando a previsão mais bem sustentada, a peste septicêmica):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
9517950 1998 Estudo animal Antimicrob Agents Chemother Modelo murino de peste pneumônica para comparar o tratamento antibiótico com estreptomicina e outros antibióticos
16127904 2002 Estudo animal Antibiot Khimioter Eficácia do ofloxacino na profilaxia e no tratamento de peste experimental em camundongos; menor eficácia com cepas sem fração I e toxina murina
8203841 1994 Estudo animal Antimicrob Agents Chemother Ofloxacino, entre outros antibióticos, foi ativo in vitro e avaliado em infecção murina sistêmica por Y. pestis
8540736 1995 In vitro Antimicrob Agents Chemother Em 78 cepas de Y. pestis, ceftriaxona e ciprofloxacino foram os mais ativos, seguidos de ofloxacino e ampicilina
8913481 1996 In vitro Antimicrob Agents Chemother Em 100 isolados humanos, ofloxacino e levofloxacino tiveram alta atividade (CIM90 < 0,03 µg/mL)
10987101 2000 Estudo animal Antibiot Khimioter Fluoroquinolonas, incluindo ofloxacino, impediram a formação de imunidade pós-vacinal em camundongos; uma cepa vacinal resistente permitiu a imunidade
11871319 2001 Estudo animal Antibiot Khimioter Modelo de peste bubônica em babuínos para avaliar a eficácia de novos antibacterianos
11858365 2002 Relato de caso Joint Bone Spine Discite por S. lugdunensis em paciente com mieloma múltiplo tratado com ofloxacino e pristinamicina; o artigo não trata de gamopatia monoclonal como alvo terapêutico
16670489 2006 Relato de caso Cornea Cicatrização de úlcera em escudo vernal após desbridamento cirúrgico; evidência indireta
18644132 2008 In vitro BMC Microbiol Triagem de determinantes de resistência a antibióticos em Y. pestis; apenas indiretamente relevante

Outros trabalhos recuperados tratam de resistência em outros organismos (por exemplo, Burkholderia pseudomallei e Vibrio cholerae) ou de mutantes resistentes de Y. pestis, e têm relevância apenas indireta. Um artigo sobre estreptococo beta-hemolítico (PMID 22808724) foi associado à incompatibilidade de grupo sanguíneo, mas parece ser um artefato de palavras-chave.

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 8 registros estão cancelados; não há registro vigente.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 126250061 LFM - Ofloxacino Não informada Antiinfecciosos
Registro nº 167730555 Ofloxalis Não informada Antiinfecciosos tópicos para uso oftálmico
Registro nº 102350779 Ofloxacino Não informada Antiinfecciosos tópicos para uso oftálmico
Registro nº 107150097 Floxina Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 101470027 Ofloxa Não informada Antiinfecciosos tópicos para uso oftálmico

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (associações do grafo de conhecimento, não texto de bula): síndrome do QT longo (inclusive familiar) e torsades de pointes; insuficiência e doença hepáticas, lesão hepática induzida por fármacos; doença renal e função renal comprometida; epilepsia; miastenia gravis e doenças da junção neuromuscular; tendinite e outras doenças de tendão e periarticulares; neuropatia periférica; diabetes mellitus e cetoacidose diabética; rabdomiólise; trombocitopenia, leucopenia e anemias; deficiência de potássio; colite por Clostridium difficile; doenças da vesícula biliar.
  • Interações medicamentosas: foram identificadas 383 interações. Entre as listadas, as de gravidade maior incluem corticosteroides (hidrocortisona, triamcinolona, dexametasona, betametasona), bupropiona e clorpropamida. As de gravidade moderada incluem antidiabéticos (acarbose, metformina, pioglitazona, canagliflozina, alogliptina, albiglutida), famotidina, loperamida, ácido acetilsalicílico, balsalazida, bisacodil e sais de cálcio e potássio.

Consulte a bula para advertências principais e contraindicações oficiais; os dados da bula da ANVISA não estavam disponíveis.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A previsão principal (síndrome de hiperviscosidade policlonal) é apenas uma previsão do modelo (L5), sem ensaios, sem literatura e sem mecanismo plausível. Além disso, todos os registros brasileiros estão cancelados, e o perfil de segurança exige cautela em várias condições.
  • A peste septicêmica (L4) é a hipótese mais defensável, mas é uma extensão do uso antibacteriano existente e se apoia apenas em dados in vitro e em animais. Pode ser tratada como questão de pesquisa, não como candidata a reposicionamento imediato.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), hoje um bloqueio para a triagem de segurança.
  • Obter dados detalhados do mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
  • Para peste septicêmica: revisar diretrizes e dados clínicos de fluoroquinolonas e avaliar a viabilidade de estudos em humanos.
  • Para qualquer nova indicação: confirmar a compatibilidade de via de administração e a situação regulatória, já que não há registro vigente no Brasil.
  • Descartar ou despriorizar as previsões hematológicas sem respaldo mecanístico.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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