Meropenem

Nível de evidência: L4 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Meropenem
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Meropenem: De antibiótico sistêmico à infecção do trato urinário
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Meropenem: De antibiótico sistêmico à infecção do trato urinário

Resumo em Uma Frase

Meropenem é um antibiótico carbapenêmico de amplo espectro, registrado na ANVISA na categoria "antibióticos sistêmicos simples". O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para artrite bacteriana (bacterial arthritis), a previsão de maior pontuação, mas sem ensaios clínicos e com literatura apenas indireta (relatos de caso, coortes retrospectivas, revisões e estudos farmacocinéticos). A indicação com maior suporte de evidências entre as previstas é a infecção do trato urinário (urinary tract infection), com 9 ensaios clínicos e 20 publicações.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antibióticos sistêmicos simples
Nova Indicação Prevista Artrite bacteriana (bacterial arthritis)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,92%
Nível de Evidência L4
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Somente registros cancelados
Número de Registros 10 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Observação: a indicação de maior pontuação (artrite bacteriana) tem evidências fracas (L4). Entre as 10 indicações previstas, a infecção do trato urinário (pontuação 99,52%) é a única com evidências robustas (L1, recomendação "Proceed with Guardrails"), e é detalhada nas seções de evidências abaixo, por ser a única com ensaios clínicos registrados. As demais indicações estão resumidas na seção de conclusão.

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação no conjunto de dados compilado. Segundo informações conhecidas, meropenem é um carbapenêmico de amplo espectro que inibe a síntese da parede celular bacteriana por meio da ligação às proteínas ligadoras de penicilina (PBP). É estável frente a muitas beta-lactamases, incluindo as de espectro estendido (ESBL).

Para artrite bacteriana, a atividade contra bacilos Gram-negativos e contra Burkholderia pseudomallei (melioidose), patógenos que causam infecções osteoarticulares, é plausível. Contudo, a penetração em osso e articulação é sustentada apenas por dados farmacocinéticos indiretos, e não há ensaios registrados.

Para infecção do trato urinário (ITU), a atividade contra Enterobacterales, inclusive produtores de ESBL, está bem estabelecida. Vários ensaios de Fase 3 usam meropenem como comparador. Como a ITU complicada provavelmente se sobrepõe ao uso já aprovado do fármaco, o reposicionamento neste caso é, na prática, uma confirmação de uso existente.

Evidências de Ensaios Clínicos

Os ensaios abaixo referem-se à indicação infecção do trato urinário, a única das 10 previstas com ensaios registrados. Para artrite bacteriana, atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT03840148 Phase 3 Concluído 661 Cefepima/VNRX-5133 vs meropenem em ITU complicada, incluindo pielonefrite aguda (não inferioridade)
NCT03477422 Phase 3 Concluído 230 CSE-1034 (ceftriaxona + sulbactam + EDTA) vs meropenem em ITU complicada por bactérias produtoras de beta-lactamase
NCT02142751 Phase 3 Concluído 161 Fosfomicina vs meropenem ou ceftriaxona em ITU bacterêmica por E. coli multirresistente
NCT01970371 Phase 3 Concluído 69 Plazomicina vs colistina (associadas a meropenem ou tigeciclina) em infecções por Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos
NCT03543436 Phase 3 Concluído 29 Temocilina vs carbapenêmico em ITU por Enterobacterales produtores de ESBL (amostra pequena)
NCT03230838 Phase 2 Concluído 134 Ceftolozana/tazobactam vs meropenem em ITU complicada pediátrica
NCT03891433 Phase 4 Suspenso 198 Piperacilina/tazobactam vs carbapenêmicos em ITU por ESBL; dados incompletos
NCT03174795 Phase 1 Concluído 20 Farmacocinética de RO7079901 coadministrado com meropenem em ITU complicada
NCT00771316 Phase 3 Encerrado 6 MK0826 vs meropenem em ITU complicada; encerrado com 6 participantes, sem valor informativo

Observação: na maioria desses ensaios, o meropenem é o comparador, e não o fármaco em estudo. Ainda foi identificado o estudo observacional NCT04278404 (farmacocinética de fármacos pouco estudados em crianças, n=5.000), que não constitui evidência de eficácia em ITU.

Evidências da Literatura

Publicações referentes à infecção do trato urinário:

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
29486041 2018 RCT JAMA TANGO I: meropenem-vaborbactam vs piperacilina-tazobactam em ITU complicada (cura clínica e erradicação microbiana)
30270406 2018 RCT Infect Dis Ther TANGO II: meropenem-vaborbactam vs melhor terapia disponível em infecções por Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos
39817442 2025 Revisão sistemática / meta-análise em rede J Comp Eff Res Eficácia das opções de tratamento em ITU complicada e pielonefrite aguda; carbapenêmicos como terapia de última linha
32094128 2020 Coorte retrospectiva Antimicrob Agents Chemother Meropenem-vaborbactam vs ceftazidima-avibactam em infecções por CRE (classificado na base como RCT, mas descrito como coorte retrospectiva multicêntrica)
33058798 2021 RCT Lancet Infect Dis APEKS-NP: cefiderocol vs meropenem em dose alta e infusão estendida em pneumonia nosocomial (indireta para ITU)
18416587 2008 Revisão Drugs Revisão do uso de meropenem em infecções bacterianas graves
36726388 2023 Revisão Infect Drug Resist Avaliação clínica de meropenem-vaborbactam em ITU
38688353 2024 Revisão Int J Antimicrob Agents Diretrizes práticas SIMIT/SPILF para infecções por bacilos Gram-negativos multirresistentes
35787918 2022 Revisão Int J Antimicrob Agents Dados clínicos de novos antibióticos contra Gram-negativos multirresistentes
14508383 2003 Revisão Ther Drug Monit Carbapenêmicos em pediatria; estabilidade frente a ESBL e AmpC

Para a indicação de maior pontuação, artrite bacteriana, a literatura é indireta: revisões sobre melioidose osteoarticular, uma coorte retrospectiva (PMID 35146367) e relatos de caso, como o de artrite séptica por Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL tratada com meropenem e amicacina (PMID 17433752), além de estudos farmacocinéticos.

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 10 registros encontrados estão cancelados; atualmente não há registro válido de meropenem monofármaco nos dados compilados.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 100430034 Meropeném Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 100630190 Mepenox Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 100410207 Meropenem Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 100630229 Meropeném Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 116370187 Meropeném Não informada Antibióticos sistêmicos simples

Há ainda outros cinco registros cancelados (incluindo Meronem e Meromax), totalizando 10.

Considerações de Segurança

  • Contraindicações associadas (grafo de conhecimento, não texto de bula): epilepsia, doença renal, piureter, trombocitopenia, colite por Clostridium difficile e enterocolite necrosante perinatal.
  • Interações medicamentosas (14 identificadas):
    • Maiores: bupropiona (risco aumentado de convulsões), iohexol e iopamidol.
    • Moderadas: ácido picossulfúrico, polietilenoglicol 3350 com eletrólitos, sulfato de sódio, nitisinona, lindano, etinilestradiol, alpelisibe, encorafenibe, ácido micofenólico, pemetrexede e teriflunomida.

Para advertências e contraindicações formais, consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold (para a indicação principal, artrite bacteriana)

Justificativa:

  • A indicação de maior pontuação (artrite bacteriana, 99,92%) tem apenas evidência indireta (L4), sem ensaios registrados.
  • A infecção do trato urinário (L1) permitiria "Proceed with Guardrails", mas provavelmente se sobrepõe ao uso já estabelecido do meropenem, e os registros brasileiros estão todos cancelados.

Situação das demais indicações previstas:

Indicação Pontuação Nível Recomendação Comentário
Epiglotite 99,91% L4 Hold Sem evidência clínica; agentes de espectro mais estreito são o padrão
Infecção por Staphylococcus aureus 99,85% L4 Hold Ativo contra MSSA, mas não preferencial; MRSA é resistente
Laringite 99,59% L5 Hold Predominantemente viral; sem racional
Febre paratifoide 99,57% L4 Hold Opção de resgate em febre entérica XDR; sem dados diretos
Infecção do trato urinário 99,52% L1 Proceed with Guardrails Ver seções de evidências
Doença de Lyme 99,46% L5 Hold Apenas dados in vitro; existem terapias padrão
Infecção por Peptostreptococcus 99,37% L5 Hold Plausível, mas sem estudos
Uretrite por Ureaplasma 99,33% L5 Hold Mecanisticamente implausível (ausência de parede celular)
Uretrite gonocócica 99,33% L5 Hold Ceftriaxona é a primeira linha; conflita com o uso racional de antimicrobianos

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), pois a ausência desses dados impede a triagem de segurança.
  • Complementar os dados de mecanismo de ação (MOA) e esclarecer a situação regulatória, já que todos os registros estão cancelados.
  • Para artrite bacteriana: dados de penetração óssea e articular e estudos clínicos comparativos.
  • Para ITU, se for priorizada: reservar para patógenos produtores de ESBL ou multirresistentes, seguir o programa de uso racional de antimicrobianos e a suscetibilidade local, ajustar a dose à função renal, considerar alternativas poupadoras de carbapenêmicos e reconciliar a sobreposição com o uso original.
  • Plano de monitoramento para populações de risco (epilepsia, doença renal, trombocitopenia, uso de bupropiona).

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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