Meropenem
| Nível de evidência: L4 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Meropenem: De antibiótico sistêmico à infecção do trato urinário
Resumo em Uma Frase
Meropenem é um antibiótico carbapenêmico de amplo espectro, registrado na ANVISA na categoria "antibióticos sistêmicos simples". O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para artrite bacteriana (bacterial arthritis), a previsão de maior pontuação, mas sem ensaios clínicos e com literatura apenas indireta (relatos de caso, coortes retrospectivas, revisões e estudos farmacocinéticos). A indicação com maior suporte de evidências entre as previstas é a infecção do trato urinário (urinary tract infection), com 9 ensaios clínicos e 20 publicações.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Antibióticos sistêmicos simples |
| Nova Indicação Prevista | Artrite bacteriana (bacterial arthritis) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,92% |
| Nível de Evidência | L4 |
| Situação no Mercado Brasileiro | ✗ Somente registros cancelados |
| Número de Registros | 10 (todos cancelados) |
| Decisão Recomendada | Hold |
Observação: a indicação de maior pontuação (artrite bacteriana) tem evidências fracas (L4). Entre as 10 indicações previstas, a infecção do trato urinário (pontuação 99,52%) é a única com evidências robustas (L1, recomendação "Proceed with Guardrails"), e é detalhada nas seções de evidências abaixo, por ser a única com ensaios clínicos registrados. As demais indicações estão resumidas na seção de conclusão.
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação no conjunto de dados compilado. Segundo informações conhecidas, meropenem é um carbapenêmico de amplo espectro que inibe a síntese da parede celular bacteriana por meio da ligação às proteínas ligadoras de penicilina (PBP). É estável frente a muitas beta-lactamases, incluindo as de espectro estendido (ESBL).
Para artrite bacteriana, a atividade contra bacilos Gram-negativos e contra Burkholderia pseudomallei (melioidose), patógenos que causam infecções osteoarticulares, é plausível. Contudo, a penetração em osso e articulação é sustentada apenas por dados farmacocinéticos indiretos, e não há ensaios registrados.
Para infecção do trato urinário (ITU), a atividade contra Enterobacterales, inclusive produtores de ESBL, está bem estabelecida. Vários ensaios de Fase 3 usam meropenem como comparador. Como a ITU complicada provavelmente se sobrepõe ao uso já aprovado do fármaco, o reposicionamento neste caso é, na prática, uma confirmação de uso existente.
Evidências de Ensaios Clínicos
Os ensaios abaixo referem-se à indicação infecção do trato urinário, a única das 10 previstas com ensaios registrados. Para artrite bacteriana, atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.
| Número do Ensaio | Fase | Status | Participantes | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| NCT03840148 | Phase 3 | Concluído | 661 | Cefepima/VNRX-5133 vs meropenem em ITU complicada, incluindo pielonefrite aguda (não inferioridade) |
| NCT03477422 | Phase 3 | Concluído | 230 | CSE-1034 (ceftriaxona + sulbactam + EDTA) vs meropenem em ITU complicada por bactérias produtoras de beta-lactamase |
| NCT02142751 | Phase 3 | Concluído | 161 | Fosfomicina vs meropenem ou ceftriaxona em ITU bacterêmica por E. coli multirresistente |
| NCT01970371 | Phase 3 | Concluído | 69 | Plazomicina vs colistina (associadas a meropenem ou tigeciclina) em infecções por Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos |
| NCT03543436 | Phase 3 | Concluído | 29 | Temocilina vs carbapenêmico em ITU por Enterobacterales produtores de ESBL (amostra pequena) |
| NCT03230838 | Phase 2 | Concluído | 134 | Ceftolozana/tazobactam vs meropenem em ITU complicada pediátrica |
| NCT03891433 | Phase 4 | Suspenso | 198 | Piperacilina/tazobactam vs carbapenêmicos em ITU por ESBL; dados incompletos |
| NCT03174795 | Phase 1 | Concluído | 20 | Farmacocinética de RO7079901 coadministrado com meropenem em ITU complicada |
| NCT00771316 | Phase 3 | Encerrado | 6 | MK0826 vs meropenem em ITU complicada; encerrado com 6 participantes, sem valor informativo |
Observação: na maioria desses ensaios, o meropenem é o comparador, e não o fármaco em estudo. Ainda foi identificado o estudo observacional NCT04278404 (farmacocinética de fármacos pouco estudados em crianças, n=5.000), que não constitui evidência de eficácia em ITU.
Evidências da Literatura
Publicações referentes à infecção do trato urinário:
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 29486041 | 2018 | RCT | JAMA | TANGO I: meropenem-vaborbactam vs piperacilina-tazobactam em ITU complicada (cura clínica e erradicação microbiana) |
| 30270406 | 2018 | RCT | Infect Dis Ther | TANGO II: meropenem-vaborbactam vs melhor terapia disponível em infecções por Enterobacteriaceae resistentes a carbapenêmicos |
| 39817442 | 2025 | Revisão sistemática / meta-análise em rede | J Comp Eff Res | Eficácia das opções de tratamento em ITU complicada e pielonefrite aguda; carbapenêmicos como terapia de última linha |
| 32094128 | 2020 | Coorte retrospectiva | Antimicrob Agents Chemother | Meropenem-vaborbactam vs ceftazidima-avibactam em infecções por CRE (classificado na base como RCT, mas descrito como coorte retrospectiva multicêntrica) |
| 33058798 | 2021 | RCT | Lancet Infect Dis | APEKS-NP: cefiderocol vs meropenem em dose alta e infusão estendida em pneumonia nosocomial (indireta para ITU) |
| 18416587 | 2008 | Revisão | Drugs | Revisão do uso de meropenem em infecções bacterianas graves |
| 36726388 | 2023 | Revisão | Infect Drug Resist | Avaliação clínica de meropenem-vaborbactam em ITU |
| 38688353 | 2024 | Revisão | Int J Antimicrob Agents | Diretrizes práticas SIMIT/SPILF para infecções por bacilos Gram-negativos multirresistentes |
| 35787918 | 2022 | Revisão | Int J Antimicrob Agents | Dados clínicos de novos antibióticos contra Gram-negativos multirresistentes |
| 14508383 | 2003 | Revisão | Ther Drug Monit | Carbapenêmicos em pediatria; estabilidade frente a ESBL e AmpC |
Para a indicação de maior pontuação, artrite bacteriana, a literatura é indireta: revisões sobre melioidose osteoarticular, uma coorte retrospectiva (PMID 35146367) e relatos de caso, como o de artrite séptica por Klebsiella pneumoniae produtora de ESBL tratada com meropenem e amicacina (PMID 17433752), além de estudos farmacocinéticos.
Informações de Comercialização no Brasil
Todos os 10 registros encontrados estão cancelados; atualmente não há registro válido de meropenem monofármaco nos dados compilados.
| Número de Registro | Nome Comercial | Forma Farmacêutica | Indicação Aprovada |
|---|---|---|---|
| Registro nº 100430034 | Meropeném | Não informada | Antibióticos sistêmicos simples |
| Registro nº 100630190 | Mepenox | Não informada | Antibióticos sistêmicos simples |
| Registro nº 100410207 | Meropenem | Não informada | Antibióticos sistêmicos simples |
| Registro nº 100630229 | Meropeném | Não informada | Antibióticos sistêmicos simples |
| Registro nº 116370187 | Meropeném | Não informada | Antibióticos sistêmicos simples |
Há ainda outros cinco registros cancelados (incluindo Meronem e Meromax), totalizando 10.
Considerações de Segurança
- Contraindicações associadas (grafo de conhecimento, não texto de bula): epilepsia, doença renal, piureter, trombocitopenia, colite por Clostridium difficile e enterocolite necrosante perinatal.
- Interações medicamentosas (14 identificadas):
- Maiores: bupropiona (risco aumentado de convulsões), iohexol e iopamidol.
- Moderadas: ácido picossulfúrico, polietilenoglicol 3350 com eletrólitos, sulfato de sódio, nitisinona, lindano, etinilestradiol, alpelisibe, encorafenibe, ácido micofenólico, pemetrexede e teriflunomida.
Para advertências e contraindicações formais, consulte a bula.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold (para a indicação principal, artrite bacteriana)
Justificativa:
- A indicação de maior pontuação (artrite bacteriana, 99,92%) tem apenas evidência indireta (L4), sem ensaios registrados.
- A infecção do trato urinário (L1) permitiria "Proceed with Guardrails", mas provavelmente se sobrepõe ao uso já estabelecido do meropenem, e os registros brasileiros estão todos cancelados.
Situação das demais indicações previstas:
| Indicação | Pontuação | Nível | Recomendação | Comentário |
|---|---|---|---|---|
| Epiglotite | 99,91% | L4 | Hold | Sem evidência clínica; agentes de espectro mais estreito são o padrão |
| Infecção por Staphylococcus aureus | 99,85% | L4 | Hold | Ativo contra MSSA, mas não preferencial; MRSA é resistente |
| Laringite | 99,59% | L5 | Hold | Predominantemente viral; sem racional |
| Febre paratifoide | 99,57% | L4 | Hold | Opção de resgate em febre entérica XDR; sem dados diretos |
| Infecção do trato urinário | 99,52% | L1 | Proceed with Guardrails | Ver seções de evidências |
| Doença de Lyme | 99,46% | L5 | Hold | Apenas dados in vitro; existem terapias padrão |
| Infecção por Peptostreptococcus | 99,37% | L5 | Hold | Plausível, mas sem estudos |
| Uretrite por Ureaplasma | 99,33% | L5 | Hold | Mecanisticamente implausível (ausência de parede celular) |
| Uretrite gonocócica | 99,33% | L5 | Hold | Ceftriaxona é a primeira linha; conflita com o uso racional de antimicrobianos |
Para prosseguir, é necessário:
- Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), pois a ausência desses dados impede a triagem de segurança.
- Complementar os dados de mecanismo de ação (MOA) e esclarecer a situação regulatória, já que todos os registros estão cancelados.
- Para artrite bacteriana: dados de penetração óssea e articular e estudos clínicos comparativos.
- Para ITU, se for priorizada: reservar para patógenos produtores de ESBL ou multirresistentes, seguir o programa de uso racional de antimicrobianos e a suscetibilidade local, ajustar a dose à função renal, considerar alternativas poupadoras de carbapenêmicos e reconciliar a sobreposição com o uso original.
- Plano de monitoramento para populações de risco (epilepsia, doença renal, trombocitopenia, uso de bupropiona).
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.