Mefenamic Acid

Nível de evidência: L3 Indicações previstas: 8

Índice

  1. Mefenamic Acid
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Ácido Mefenâmico: De anti-inflamatório/antirreumático para artrite reumatoide
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Ácido Mefenâmico: De anti-inflamatório/antirreumático para artrite reumatoide

Resumo em Uma Frase

O ácido mefenâmico é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE), originalmente registrado no Brasil como anti-inflamatório e antirreumático. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Artrite Reumatoide (Rheumatoid Arthritis), mas nenhum ensaio clínico registrado e 20 publicações (a maioria antiga) sustentam esta direção. Vale notar que a artrite reumatoide já está dentro do escopo antirreumático original do fármaco, portanto não se trata de reposicionamento no sentido estrito.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Anti-inflamatórios antirreumáticos
Nova Indicação Prevista Artrite Reumatoide (Rheumatoid Arthritis)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,73%
Nível de Evidência L3
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Somente registros cancelados
Número de Registros 10 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação no material compilado. Segundo informações conhecidas, o ácido mefenâmico é um inibidor de COX-1/COX-2 que reduz a síntese de prostaglandinas, o que é plausível para a dor e a inflamação articular.

A artrite reumatoide já se enquadra na classificação original de anti-inflamatório/antirreumático dos registros brasileiros. A previsão, portanto, é mecanisticamente coerente, mas reflete sobretudo a associação de classe dos AINEs com a artrite, e não uma nova aplicação.

Estudos antigos compararam o ácido mefenâmico com ibuprofeno, sulindaco, flurbiprofeno e indometacina. Os AINEs mais recentes e os DMARDs largamente o superaram na prática clínica, e o produto não está mais comercializado no Brasil.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Evidências da Literatura

Foram incluídas as publicações mais relevantes (todas diretamente ligadas ao ácido mefenâmico na artrite reumatoide, exceto onde indicado). Os resumos de várias publicações antigas não estavam disponíveis, e o desenho e o tamanho amostral dos estudos de título apenas não puderam ser verificados.

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
373989 1979 RCT (duplo-cego, cruzado) Curr Med Res Opin 24 pacientes; ácido mefenâmico (1500 mg), sulindaco e flurbiprofeno foram superiores ao placebo em dor, avaliação do paciente, índice articular e rigidez matinal
330287 1977 RCT (duplo-cego) J Int Med Res 40 pacientes; efeito analgésico e anti-inflamatório sem diferença significativa em relação ao ibuprofeno
796645 1976 Estudo comparativo (duplo-cego, cruzado) Med J Aust Ácido mefenâmico (1500 mg/dia) comparável ao ibuprofeno (1200 mg/dia); efeitos adversos leves, quase todos gastrointestinais
326491 1977 Estudo duplo-cego cruzado Curr Med Res Opin 18 pacientes; ácido mefenâmico e indometacina significativamente melhores que placebo na maioria dos parâmetros
4294443 1967 Estudo clínico histórico Ann Rheum Dis Estudo do ácido mefenâmico na artrite reumatoide (sem resumo disponível)
5920657 1966 Estudo comparativo Br Med J Comparação com ácido flufenâmico, aspirina e fenilbutazona (sem resumo disponível)
1455792 1992 Estudo clínico Vopr Kurortol Fizioter Eletroforese de ácido mefenâmico em 125 pacientes; resposta completa ou parcial em 75%
5333309 1966 Revisão/monografia Br Med J Revisão geral do ácido mefenâmico
5676955 1968 Relato de caso (segurança) Br Med J Três pacientes desenvolveram anemia hemolítica autoimune durante o tratamento; recuperação após a suspensão
23611159 2014 Estudo de formulação Pharm Dev Technol Comprimido de liberação controlada em três camadas concêntricas desenvolvido para artrite reumatoide

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 10 registros estão cancelados; nenhum está vigente. Os principais:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 135170062 Ácido Mefenâmico Não informada Anti-inflamatórios antirreumáticos
Registro nº 102350856 Ácido Mefenâmico Não informada Anti-inflamatórios
Registro nº 121100381 Ponstan Não informada Anti-inflamatórios antirreumáticos
Registro nº 167730421 Ponsdril Não informada Anti-inflamatórios
Registro nº 100431309 Fen Não informada Anti-inflamatórios antirreumáticos

Considerações de Segurança

  • Contraindicações segundo o grafo de conhecimento (não extraídas da bula): hipertensão, doença renal, doença hepática, doença da vesícula biliar, úlcera péptica (incluindo ativa), distúrbios de coagulação, infarto do miocárdio, trombose coronariana, hemoglobinopatia, doença cardiovascular e cardíaca em geral.
  • Interações medicamentosas: foram identificadas 195 interações. Entre as de nível moderado estão corticoides (hidrocortisona, dexametasona, betametasona, budesonida, triancinolona), ácido acetilsalicílico, metformina, clorpropamida, aprepitanto, mesalazina, balsalazida, citrato e bicarbonato de potássio, ácido picossulfúrico e polietilenoglicol. Famotidina, ranitidina, cimetidina, dapagliflozina e linaclotida têm interação de nível leve.
  • Sinais da literatura: anemia hemolítica autoimune (relatos de caso) e enteropatia com atrofia de vilosidades no uso prolongado.

As advertências e contraindicações da bula brasileira não estavam disponíveis; consulte a bula para informações completas de segurança.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa: A artrite reumatoide já faz parte da classificação original do fármaco, de modo que a previsão não representa reposicionamento real. As evidências são antigas (1966–1979), de pequeno porte, sem ensaios registrados, e o produto não tem mais registro vigente no Brasil. Os AINEs e DMARDs modernos o substituíram.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), uma lacuna que bloqueia a triagem de segurança.
  • Obter os dados de mecanismo de ação no DrugBank.
  • Verificar desenho e tamanho amostral dos estudos antigos, cujos resumos não estavam disponíveis.
  • Definir o valor diferencial frente aos tratamentos atuais, dado o perfil de segurança (enteropatia, anemia hemolítica autoimune, riscos cardiovasculares, renais e gastrointestinais).

Observação sobre outras indicações previstas: a enxaqueca (migraine disorder) e o distúrbio de cefaleia (headache disorder) (ambos nível L2) têm mais potencial de reposicionamento real, com ensaios duplo-cegos pequenos em enxaqueca menstrual (PMID 10799353), contra paracetamol (PMID 6347393) e na profilaxia contra propranolol/placebo (PMID 3524092). Recomenda-se avaliá-las em uma análise específica. As demais previsões (suscetibilidade à osteoartrite, cefaleia autonômica trigeminal, síndromes congênitas raras e enxaqueca com aura de tronco encefálico) têm evidência nula ou apenas indireta e devem permanecer em Hold.

Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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