Mebendazole

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Mebendazole
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Mebendazol: De anti-helmíntico gastrointestinal para acne (previsão principal do modelo)
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências da Literatura
    5. Informações de Comercialização no Brasil
    6. Considerações de Segurança
    7. Conclusão e Próximos Passos
    8. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Mebendazol: De anti-helmíntico gastrointestinal para acne (previsão principal do modelo)

Resumo em Uma Frase

Mebendazol é um anti-helmíntico do trato gastrointestinal, originalmente usado no tratamento de infecções por vermes intestinais. A previsão de maior pontuação do modelo TxGNN é acne (acne disease), mas ela conta com 0 ensaios clínicos e apenas 1 publicação (um relato de caso sobre uma doença parasitária não relacionada), ou seja, sem apoio real. Entre as 10 previsões analisadas, a mais bem sustentada é equinococose alveolar, com 19 publicações (sobretudo revisões e estudos observacionais) e nenhum ensaio registrado.

Observação: a previsão principal (acne) é, com grande probabilidade, um artefato do grafo de conhecimento. Por isso, a seção de mecanismo e a conclusão também discutem a indicação mais plausível (equinococose alveolar) e a segunda (equinococose por E. granulosus).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Anti-helmínticos do trato gastrointestinal
Nova Indicação Prevista Acne (acne disease)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,20%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Apenas registros cancelados
Número de Registros 11 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o mebendazol é um anti-helmíntico benzimidazólico que se liga à beta-tubulina do parasita, impedindo a formação de microtúbulos e prejudicando a captação de glicose e a sobrevivência do verme.

Para acne, não há relação mecanística plausível. A acne é uma doença inflamatória da unidade pilossebácea, sem envolvimento de helmintos. A pontuação alta provavelmente decorre de associações do grafo de conhecimento, e a única publicação encontrada trata de esparganose proliferativa, uma doença parasitária sem relação com acne.

Outras previsões do modelo têm lógica bem diferente:

  • Equinococose alveolar (pontuação 94,20%) e equinococose por E. granulosus (95,61%): encaixe mecanístico forte, pois o mebendazol é um benzimidazol reconhecido para essas doenças. Trata-se, porém, de uso próximo da classe terapêutica original (anti-helmíntico), e não de reposicionamento propriamente dito. O albendazol costuma ser preferido na prática, e a cirurgia continua sendo a opção curativa quando viável.
  • Demodicidose da glândula sebácea (93,0%): plausível em teoria (ácaro ectoparasita), mas sem evidência recuperada; a penetração cutânea baixa e a via sistêmica seriam obstáculos.
  • Leishmaniose cutânea difusa, hordéolo, botulismo, impetigo e distrofia de Sorsby: sem apoio mecanístico ou de evidência.

Evidências da Literatura

Para a previsão principal (acne):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
7072899 1982 Relato de caso Am J Trop Med Hyg Caso de esparganose proliferativa na Venezuela, com lesões nodulares semelhantes a acne; não trata de acne nem de mebendazol

Para a indicação mais bem sustentada (equinococose alveolar), principais publicações:

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
8789923 1996 Diretriz (OMS) Bull World Health Organ Diretrizes para tratamento de equinococose cística e alveolar; benzimidazóis (albendazol ou mebendazol) como quimioterapia
10980173 2000 Estudo comparativo observacional J Antimicrob Chemother 35 pacientes tratados com mebendazol ou albendazol por cerca de 39 meses; ambos considerados fármacos de escolha
9875648 1998 Estudo clínico/relato J Hepatol Paciente com equinococose alveolar hepática tratado por 13 anos com mebendazol; sugere possível efeito parasiticida
39311470 2024 Revisão Parasite Benzimidazóis são parasitostáticos; podem causar disfunção hepática
39606163 2024 Revisão World J Hepatol Panorama atual da terapia medicamentosa para equinococose alveolar
40093668 2025 Revisão World J Gastroenterol Manejo atual da equinococose hepática; a cirurgia é a base do tratamento
34808118 2022 Revisão Acta Trop Albendazol e mebendazol continuam sendo os únicos fármacos licenciados; novas opções são buscadas
25526545 2014 Revisão Parasite Alternativas terapêuticas além de albendazol e mebendazol
15532108 2004 Análise de longo prazo J Hepatol Acompanhamento imunológico no estudo suíço de quimioterapia (1976-2001)
7197224 1981 Farmacologia Eur J Clin Pharmacol Concentrações plasmáticas de mebendazol em animais e humanos; doses orais altas só parcialmente eficazes

Para equinococose por E. granulosus: destaca-se uma série de tratamento de 1989 com 70 pacientes e 150 cistos hidáticos tratados com mebendazol segundo protocolos da OMS (PMID 2585032), com modificações morfológicas e/ou volumétricas em 64,3% dos cistos. Os demais itens são pré-clínicos, relatos de caso ou estudos com albendazol/nanoformulações.

Não há ensaios clínicos registrados para nenhuma das indicações previstas.

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 11 registros de mebendazol estão cancelados. Principais registros (máximo de 5):

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 102980263 Mebendazol Não informada Anti-helmínticos do trato gastrointestinal
Registro nº 105710032 Belmirax Não informada Anti-helmínticos do trato gastrointestinal
Registro nº 154230210 Mebendazol Não informada Anti-helmínticos do trato gastrointestinal
Registro nº 100431253 Helmiben Meb Não informada Anti-helmínticos do trato gastrointestinal
Registro nº 154230030 Menbel Não informada Anti-helmínticos do trato gastrointestinal

Considerações de Segurança

  • Contraindicações segundo o grafo de conhecimento (não são texto de bula): doença hepática e doença da vesícula biliar.
  • Interações medicamentosas (10 registradas):
    • Moderadas: metronidazol, iodeto I-131, iodeto I-123, fenobarbital, carbamazepina, ritonavir, fosfenitoína, fenitoína e primidona (os anticonvulsivantes indutores enzimáticos podem reduzir os níveis de mebendazol).
    • Leve: cimetidina.
  • Em uso prolongado (como na equinococose alveolar), a literatura aponta risco de disfunção hepática, exigindo monitoramento hepático e hematológico.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold (para acne, a previsão principal)

Justificativa:

  • A previsão de acne tem nível de evidência L5: sem ensaios, sem mecanismo plausível e com uma única publicação não relacionada. A pontuação alta do TxGNN parece ser artefato do grafo.
  • Para equinococose alveolar e por E. granulosus (nível L3, "Proceed with Guardrails"), o mebendazol já é reconhecido como opção terapêutica, ainda que em geral secundária ao albendazol; isso representa uso próximo da indicação original, e não reposicionamento propriamente dito. A demodicidose permanece apenas como questão de pesquisa.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), pois esses dados estão ausentes.
  • Obter os dados de mecanismo de ação no DrugBank.
  • Verificar a disponibilidade do produto no Brasil, já que todos os registros estão cancelados.
  • Para equinococose: definir plano de monitoramento hepático e hematológico de longo prazo e de manejo das interações medicamentosas, e comparar com albendazol.
  • Para acne e as demais previsões sem evidência: não priorizar, a menos que surjam dados pré-clínicos ou clínicos que sustentem um mecanismo.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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