Imipenem

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Imipenem
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Imipenem: De antibacteriano sistêmico a Diffuse Scleroderma (esclerodermia difusa)
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Imipenem: De antibacteriano sistêmico a Diffuse Scleroderma (esclerodermia difusa)

Resumo em Uma Frase

Imipenem (associado à cilastatina sódica) é um antibiótico carbapenêmico, originalmente usado como antibacteriano sistêmico. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para esclerodermia difusa (Diffuse Scleroderma), mas essa previsão tem 0 ensaios clínicos e 0 publicações como apoio, sendo apenas uma previsão computacional sem plausibilidade mecanística. Entre as demais previsões, as mais bem sustentadas são infecção por Staphylococcus aureus (2 ensaios clínicos e 20 publicações) e febre tifoide/salmonelose (apenas literatura).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antibacteriano / antibióticos sistêmicos (associações medicamentosas)
Nova Indicação Prevista Esclerodermia difusa (Diffuse Scleroderma)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,99%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro Apenas registros cancelados
Número de Registros 9 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Observação: a previsão de maior ranking (esclerodermia difusa) é a de menor sustentação biológica. As indicações infecciosas abaixo são mais plausíveis e merecem prioridade de análise.

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o imipenem é um carbapenêmico beta-lactâmico que se liga às proteínas ligadoras de penicilina (PBP) e inibe a síntese da parede celular bacteriana. É administrado com cilastatina, que inibe a degradação renal do imipenem.

Para a esclerodermia difusa, não há vínculo mecanístico plausível: trata-se de doença autoimune e fibrótica, sem componente infeccioso que o imipenem possa tratar. A pontuação alta do TxGNN é apenas um resultado computacional, sem ensaios nem literatura.

Já para outras previsões da lista o raciocínio é mais consistente:

  • Febre tifoide, febre paratifoide e salmonelose: os carbapenêmicos são opção de resgate contra Salmonella extensivamente resistente (XDR). A evidência é in vitro, de vigilância e relatos de caso.
  • Infecção por S. aureus: há atividade contra cepas sensíveis à meticilina. Para MRSA, o apoio vem de combinações (fosfomicina + imipenem), não do imipenem isolado. Por já ser antibacteriano, é em parte uma extensão dentro da própria classe.
  • Sinusite, rinossinusite crônica e sinusite etmoidal crônica: o imipenem é de uso intravenoso e de amplo espectro, não adequado à rotina; só se justificaria em casos graves ou resistentes.
  • Neoplasia de seio paranasal e síndrome eosinofilia-mialgia: sem vínculo mecanístico plausível.

Evidências de Ensaios Clínicos

Para a indicação principal (esclerodermia difusa), atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Como referência, a previsão com ensaios registrados é a infecção por Staphylococcus aureus:

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT00871104 Phase 4 Concluído 50 Fosfomicina + imipenem versus vancomicina (tratamento padrão) em endocardite infecciosa por MRSA; avalia eficácia e segurança
NCT01356472 Phase 4 Desconhecido 60 Linezolida isolada ou combinada com carbapenêmico contra MRSA em pneumonia associada à ventilação; o carbapenêmico específico não é confirmado como imipenem

Evidências da Literatura

Para esclerodermia difusa, atualmente não há literatura relacionada.

Publicações selecionadas das demais previsões (prioridade para estudos clínicos e relatos diretamente ligados ao imipenem):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
39991360 2025 Estudo clínico Cureus Carbapenêmicos como última linha no tratamento da febre tifoide MDR/XDR em Peshawar, Paquistão
19208884 2009 Estudo in vitro J Med Microbiol CIM de carbapenêmicos e tigeciclina contra 210 isolados de Salmonella
22204180 2011 In vitro JPMA Suscetibilidade de Salmonella Typhi e Paratyphi a novos antimicrobianos, incluindo imipenem
15707075 2003 Relato de caso J Med Liban Rabdomiólise e insuficiência renal por S. typhi tratadas com imipenem/cilastatina e hemodiálise
3460521 1986 Série clínica Antimicrob Agents Chemother Imipenem-cilastatina em 23 pacientes com infecções por S. aureus (MRSA e MSSA)
33020155 2020 Comentário de caso Antimicrob Agents Chemother Imipenem/cilastatina + fosfomicina como combinação nova para MRSA refratário
6421794 1983 Pré-clínico J Antimicrob Chemother Imipenem em endocardite experimental por S. aureus em coelhos, com atividade in vitro elevada
3859217 1985 Estudo clínico Am J Med Potencial do imipenem como monoterapia empírica em pacientes oncológicos com neutropenia febril
10588305 1999 In vitro/in vivo J Antimicrob Chemother Efeito sinérgico de vancomicina + imipenem contra MRSA em 34 de 36 isolados
16918048 2006 Revisão Folia Med Terapia antimicrobiana das salmoneloses: estado atual e perspectivas

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os registros encontrados estão cancelados; não há registro válido atualmente.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro 137040002 Imipenem + Cilastatina Sódica Não informada Antibióticos sistêmicos - associações medicamentosas
Registro 100630137 Tiepem Não informada Antibióticos sistêmicos - associações medicamentosas
Registro 155620013 Imipenem + Cilastatina Não informada Antibióticos sistêmicos - associações medicamentosas
Registro 102010053 Penexil Não informada Antibióticos sistêmicos - associações medicamentosas
Registro 104970228 Imicil Não informada Antibióticos sistêmicos - associações medicamentosas

Há ainda outros 4 registros cancelados, incluindo Recarbrio (indicação: antibacteriano).

Considerações de Segurança

  • Contraindicações segundo o grafo de conhecimento do TxGNN (relações fármaco-doença, não texto de bula): epilepsia, doença renal, piureter, colite por Clostridium difficile e enterocolite necrosante perinatal.
  • Interações medicamentosas (15 identificadas):
    • Maior gravidade: bupropiona, iohexol e iopamidol.
    • Gravidade moderada: varfarina, dicumarol, lindano, aminofilina, difilina, oxtrifilina, teofilina, ciclosporina, etinilestradiol, ácido micofenólico, pemetrexede e polietilenoglicol (3350 com eletrólitos).

Consulte a bula para advertências e contraindicações formais, que não estavam disponíveis nos dados compilados.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • Para esclerodermia difusa, a previsão é apenas computacional (nível L5), sem ensaios, sem literatura e sem vínculo mecanístico plausível entre um antibiótico beta-lactâmico e uma doença autoimune fibrótica.
  • Além disso, não há registro válido no Brasil: os 9 registros estão cancelados.

Para prosseguir, é necessário:

  • Não priorizar a esclerodermia difusa; redirecionar a análise para indicações infecciosas (febre tifoide/paratifoide por Salmonella XDR e infecção por S. aureus em combinação), que são mais plausíveis, embora de nível L4 e L2 e ainda sem ensaios controlados do imipenem.
  • Obter dados de mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
  • Obter e analisar a bula na ANVISA para advertências e contraindicações formais.
  • Verificar a situação regulatória atual (reativação de registro ou alternativas comercializadas) e a compatibilidade da via de administração, intravenosa, com cada indicação.
  • Para qualquer indicação infecciosa, realizar ensaios controlados comparativos e considerar políticas de uso racional de carbapenêmicos diante da resistência antimicrobiana.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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