Ambrisentan

Nível de evidência: L2 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Ambrisentan
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Ambrisentana: De anti-hipertensivo a hipertensão arterial pulmonar associada a doença do tecido conjuntivo
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Ambrisentana: De anti-hipertensivo a hipertensão arterial pulmonar associada a doença do tecido conjuntivo

Resumo em Uma Frase

Ambrisentana é um antagonista do receptor de endotelina, registrado no Brasil na classe dos anti-hipertensivos (nome comercial VOLIBRIS). O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Hipertensão Arterial Pulmonar associada a Doença do Tecido Conjuntivo (pulmonary arterial hypertension associated with connective tissue disease), atualmente com 2 ensaios clínicos e 20 publicações apoiando esta direção.

Observação: a indicação de maior pontuação TxGNN (1.º lugar) é a malformação arteriovenosa pulmonar, mas ela tem apenas um relato de caso indireto e uma justificativa mecanística contrária. Por isso, este relatório destaca a indicação prevista com maior respaldo de evidências entre as 10 candidatas (6.º lugar no ranking do modelo).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Anti-hipertensivos
Nova Indicação Prevista Hipertensão arterial pulmonar associada a doença do tecido conjuntivo
Pontuação de Previsão TxGNN 99,30%
Nível de Evidência L2
Situação no Mercado Brasileiro Apenas registros cancelados
Número de Registros 1 (0 válidos, 1 cancelado)
Decisão Recomendada Proceed with Guardrails

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, a ambrisentana é um antagonista seletivo do receptor de endotelina tipo A, que reduz a vasoconstrição e a resistência vascular pulmonar. Sua eficácia como vasodilatador/anti-hipertensivo está de acordo com a classificação do registro brasileiro.

A vasoconstrição mediada por endotelina e o remodelamento vascular fibroproliferativo são centrais na hipertensão arterial pulmonar (HAP) associada à esclerose sistêmica e a outras doenças do tecido conjuntivo. A ambrisentana atua diretamente nessa via, o que torna a previsão mecanisticamente coerente. A literatura também descreve a ambrisentana como aprovada para HAP idiopática, hereditária e associada a doença do tecido conjuntivo.

Evidências de Ensaios Clínicos

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT02290613 Phase 2 Concluído 38 Ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, de prova de conceito, em HAP limítrofe associada à esclerose sistêmica (tratamento precoce). Testa diretamente a indicação, mas é pequeno e em doença inicial
NCT01042158 Phase 4 Concluído 25 Estudo aberto de 36 semanas, braço único, de ambrisentana + tadalafila em HAP associada à esclerodermia (distância no teste de caminhada de 6 minutos, classe funcional NYHA, hemodinâmica). Pequeno e avalia combinação, o que dificulta isolar o efeito da ambrisentana

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
38378970 2024 Revisão sistemática/meta-análise Intern Emerg Med Meta-análise de ECRs com desfechos em HAP associada a doenças do tecido conjuntivo (classe funcional, sobrevida, TC6M, piora clínica)
23906950 2013 Meta-análise BMJ Open Meta-análise de ensaios clínicos em HAP associada a doenças do tecido conjuntivo, área com poucos estudos dedicados
32161055 2020 Coorte (análise post hoc do AMBITION) Ann Rheum Dis Terapia inicial combinada ambrisentana + tadalafila versus monoterapia em HAP-DTC e esclerose sistêmica
27492539 2016 Análise de subgrupo (ARIES-E) Respir Med Eficácia e segurança da ambrisentana por 3 anos em HAP-DTC
26360334 2015 Estudo aberto Am J Respir Crit Care Med Terapia combinada inicial de ambrisentana e tadalafila em HAP associada à esclerodermia
27282418 2017 Registro pós-comercialização J Heart Lung Transplant Estudo VOLT: perfil de segurança da ambrisentana, com foco em elevação de aminotransferases
28425346 2017 Revisão Ther Adv Respir Dis Ambrisentana melhora capacidade de exercício e hemodinâmica, com perfil de efeitos adversos aceitável, inclusive em HAP associada a DTC
35412560 2022 Revisão JAMA Diagnóstico e tratamento da HAP
37765060 2023 Revisão Pharmaceuticals (Basel) Avanços recentes no tratamento da HAP associada a doenças do tecido conjuntivo
22621693 2012 Revisão Drugs Tratamento da HAP em doença do tecido conjuntivo

Informações de Comercialização no Brasil

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 101070281 (cancelado) VOLIBRIS Não informada ANTI-HIPERTENSIVOS

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (relações do grafo de conhecimento, não texto de bula): insuficiência cardíaca congestiva, anemia, anemia macrocítica e doença veno-oclusiva pulmonar.
  • Interações Medicamentosas: 112 interações identificadas. Entre as de gravidade moderada estão canagliflozina, dapagliflozina, empagliflozina, ertugliflozina, eliglustate e naltrexona. Interações de gravidade leve incluem claritromicina, miconazol e omeprazol.
  • Cuidados adicionais apontados na análise: toxicidade embriofetal (exige contracepção), edema/retenção de líquidos, anemia e monitoramento da função hepática.

Consulte a bula para as advertências e contraindicações formais.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Proceed with Guardrails

Justificativa: Há um ensaio de Phase 2 concluído e controlado por placebo, um estudo de Phase 4 concluído, além de meta-análises e análises de subgrupo de ensaios maiores que sustentam o uso da ambrisentana em HAP associada a doença do tecido conjuntivo. Não há ECR de Phase 3 específico para este subgrupo, e o registro brasileiro está cancelado, o que limita a certeza.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), lacuna que bloqueia a triagem de segurança.
  • Complementar os dados de mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
  • Esclarecer a situação regulatória: o único registro encontrado está cancelado, sendo necessário verificar a disponibilidade de produto equivalente no Brasil.
  • Definir plano de mitigação: contracepção e prevenção de gravidez, monitoramento de enzimas hepáticas, hemoglobina e edema.
  • Confirmar a eficácia em estudos controlados mais amplos no subgrupo de doença do tecido conjuntivo.

Observações sobre as demais indicações previstas:

  • HAP associada a cardiopatia congênita (L3, Proceed with Guardrails): mecanismo bem apoiado, mas com evidências principalmente observacionais; cautela com síndrome de Eisenmenger e toxicidade embriofetal.
  • HAP associada a HIV (L3): evidências limitadas a série de casos e relatos; atenção a interações com antirretrovirais (CYP3A4/P-gp).
  • Malformação arteriovenosa pulmonar (L4, Hold): a pontuação alta provavelmente reflete proximidade na rede com HAP; o bloqueio de endotelina não deve tratar os shunts e a vasodilatação poderia agravá-los.
  • HAP associada a esquistossomose e a anemia hemolítica crônica, malformações com componente dental/periodontal, hipotricose simples do couro cabeludo, hipertricose e síndrome de Dandy-Walker (L5, Hold): apenas previsão do modelo, sem evidências; vários casos provavelmente são artefatos de rede, e a ambrisentana é teratogênica.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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