Ranitidine

Nível de evidência: L3 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Ranitidine
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Ranitidina: De antiulceroso a doença ulcerosa péptica ativa
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Ranitidina: De antiulceroso a doença ulcerosa péptica ativa

Resumo em Uma Frase

A ranitidina é um antagonista dos receptores H2 da histamina, originalmente usado como antiulceroso (redução da secreção de ácido gástrico). O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para doença ulcerosa péptica ativa (active peptic ulcer disease), mas essa previsão praticamente coincide com a indicação original, portanto não se trata de reposicionamento genuíno. Atualmente há 0 ensaios clínicos vinculados a esta indicação e 20 publicações (em sua maioria revisões antigas) associadas a ela.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antiulceroso (ANTIULCEROSOS)
Nova Indicação Prevista Doença ulcerosa péptica ativa (active peptic ulcer disease)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,89%
Nível de Evidência L3
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Somente registros cancelados
Número de Registros 20 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados para este relatório. Segundo informações conhecidas, a ranitidina é um antagonista competitivo dos receptores H2 da histamina nas células parietais gástricas, o que reduz a secreção de ácido basal e estimulada. A redução da acidez é a base estabelecida para a cicatrização de úlceras.

A "nova" indicação prevista (doença ulcerosa péptica ativa) é, na prática, a própria indicação original do fármaco. Por isso, a pontuação alta do modelo reflete a coerência com o uso já estabelecido, e não uma descoberta nova.

Vale notar que a ranitidina está com todos os registros cancelados no Brasil, em razão de preocupações com impurezas de NDMA. Além disso, os inibidores da bomba de prótons (IBPs) substituíram em grande parte os bloqueadores H2, de modo que o valor de reposicionamento é limitado.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados para esta indicação (doença ulcerosa péptica ativa).

Observação: para a indicação "doença ulcerosa péptica" (7ª colocada na lista de previsões) há cinco ensaios vinculados, mas nenhum testa a ranitidina como intervenção; ela aparece apenas como comparador (estudos com esomeprazol, omeprazol e YF476). Eles não foram incluídos como evidência direta.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
6317325 1983 Revisão Drug Intell Clin Pharm Ranitidina é 4 a 10 vezes mais potente que a cimetidina na inibição da secreção ácida; eficaz e bem tolerada em úlcera duodenal ativa
2905237 1988 Revisão Drugs Papel das prostaglandinas e dos antagonistas H2 na doença ulcerosa péptica
3909374 1985 Estudo clínico Scand J Gastroenterol Ranitidina 300 mg/dia: cicatrização em 4 semanas de 91% (duodenal), 68% (pré-pilórica) e 81% (corporal gástrica); manutenção para prevenção de recidiva
6317740 1983 Farmacologia comparativa J Clin Gastroenterol Ranitidina é 6 a 8 vezes mais potente que a cimetidina na inibição de secreções gástricas
2878343 1986 Revisão Med Toxicol Reações adversas e interações dos antagonistas H2, com toxicidade notavelmente baixa
8097411 1993 Revisão Baillieres Clin Gastroenterol Farmacologia da inibição do ácido gástrico
1976583 1990 Revisão Hepatogastroenterology A inibição da acidez gástrica está associada à cicatrização da úlcera
2905640 1988 Revisão Drugs Revisão do nizatidina, outro antagonista H2, na doença ulcerosa péptica
1717223 1991 Revisão Drugs Revisão da roxatidina, outro antagonista H2
9506245 1998 Revisão Drugs Rabeprazol (IBP) superior a famotidina e placebo em estudos comparativos

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 20 registros estão cancelados. Principais registros:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 118190300 Cloridrato de Ranitidina Não informada Antiulceroso
Registro nº 105730437 Label Gotas Não informada Antiulceroso
Registro nº 105730333 Label Não informada Antiulceroso
Registro nº 154230035 Ultidin Não informada Antiulceroso
Registro nº 105830869 Cloridrato de Ranitidina Não informada Antiulceroso

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (segundo o grafo de conhecimento TxGNN, não o texto da bula): porfiria (incluindo porfiria hereditária e doenças do metabolismo da porfirina), doença renal, doença hepática, doença da vesícula biliar e câncer gástrico (neoplasia gástrica, adenocarcinoma gástrico difuso, linite plástica e carcinoma gástrico).
  • Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações; as 20 listadas incluem:
    • Grave: atazanavir.
    • Moderada: acalabrutinibe, acetoexamida, aminofilina, bacampicilina, bosutinibe, brigatinibe, cefditoreno, cefpodoxima, cefuroxima, ceritinibe e clorpropamida.
    • Leve: paracetamol, ácido alendrônico, hidróxido de alumínio, atracúrio, axitinibe, carbonato de cálcio, cisaprida e cisatracúrio.

Para advertências e contraindicações da bula, consulte a bula do medicamento.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A indicação prevista é a própria indicação original, sem valor adicional de reposicionamento. As evidências são antigas, em sua maioria revisões, e nenhum ensaio testa a ranitidina diretamente. O fármaco está sem registro válido no Brasil por questões de impureza (NDMA) e foi superado pelos IBPs.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), lacuna considerada bloqueante para a triagem de segurança.
  • Obter dados do mecanismo de ação a partir do DrugBank.
  • Esclarecer a situação regulatória e a questão das impurezas de NDMA antes de qualquer reintrodução.
  • Avaliar se há vantagem clínica frente aos IBPs e a outros bloqueadores H2 ainda disponíveis (por exemplo, famotidina).
  • Se o objetivo for reposicionamento genuíno, priorizar indicações com sinais além da doença ulcerosa, como as mastocitoses, hoje apenas com previsão do modelo (nível L5) e sem ensaios nem literatura.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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