Oxaliplatin
| Nível de evidência: L2 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Oxaliplatina: Do câncer de cólon metastático ao mesotelioma pleural maligno
Resumo em Uma Frase
A oxaliplatina é um quimioterápico à base de platina, originalmente usado no tratamento de metástases de tumor maligno do cólon. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para o Mesotelioma Pleural Maligno (Malignant Pleural Mesothelioma), atualmente com 3 ensaios clínicos (2 diretamente relevantes, de Fase 2) e 20 publicações relacionadas a esta direção.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Metástase de tumor maligno do cólon (conforme o grafo de conhecimento do TxGNN; não há texto de indicação de registro no Brasil) |
| Nova Indicação Prevista | Mesotelioma Pleural Maligno (Malignant Pleural Mesothelioma) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,68% |
| Nível de Evidência | L2 |
| Situação no Mercado Brasileiro | Não comercializado |
| Número de Registros | 0 |
| Decisão Recomendada | Hold |
Por que Esta Previsão é Razoável?
Não há dados detalhados de mecanismo de ação nos dados compilados para este relatório. Segundo informações conhecidas, a oxaliplatina é um agente de platina que forma adutos e ligações cruzadas no DNA, bloqueando a replicação e a transcrição e induzindo apoptose. Sua eficácia no câncer colorretal metastático está bem estabelecida.
Os compostos de platina (cisplatina e carboplatina) são a base da quimioterapia do mesotelioma. Por isso, existe uma justificativa por classe de mecanismo: um derivado da platina com ação semelhante pode, em teoria, ser aplicável a esse tumor. Em estudos de Fase 2, a oxaliplatina mostrou atividade em combinação com antifolatos (raltitrexede), gencitabina, vinorelbina e bortezomibe.
Há, porém, limitações importantes. Não existem dados de Fase 3 que mostrem superioridade sobre o esquema padrão com cisplatina/pemetrexede. Um estudo de segunda linha com raltitrexede + oxaliplatina (14 pacientes) não obteve respostas objetivas. A previsão é plausível, mas ainda é uma pergunta de pesquisa.
Evidências de Ensaios Clínicos
| Número do Ensaio | Fase | Status | Participantes | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| NCT00996385 | Phase 2 | Desconhecido | 29 | Bortezomibe (Velcade) + oxaliplatina (Eloxatin) em mesotelioma pleural ou peritoneal previamente tratado; até 6 ciclos, com avaliação de resposta por TC a cada 8 semanas |
| NCT00859469 | Phase 2 | Concluído | 29 | Oxaliplatina + gencitabina como 1ª ou 2ª linha em mesotelioma pleural ou peritoneal; objetivo: taxa de resposta (braço único, pequeno) |
| NCT07532902 | Phase 1 | Recrutando | 60 | Estudo de cesta com BMS-986504 associado ao tratamento padrão em tumores sólidos metastáticos com deleção de MTAP; a oxaliplatina é apenas um possível componente (evidência indireta) |
Evidências da Literatura
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 12525529 | 2003 | Fase 2 | J Clin Oncol | Raltitrexede + oxaliplatina em mesotelioma pleural difuso (70 pacientes, pré-tratados e virgens de quimioterapia); regime considerado ativo |
| 14609447 | 2003 | Fase 2 | Clin Lung Cancer | Gencitabina + oxaliplatina em mesotelioma pleural maligno, estudo multicêntrico com 25 pacientes |
| 15639727 | 2005 | Fase 2 | Lung Cancer | Vinorelbina + oxaliplatina como 1ª linha em mesotelioma pleural maligno |
| 11989592 | 2001 | Fase 2 (piloto) | Tumori | Oxaliplatina + raltitrexede em mesotelioma pleural maligno inoperável |
| 15893013 | 2005 | Fase 2 | Lung Cancer | Raltitrexede + oxaliplatina como 2ª linha: sem respostas objetivas em 14 pacientes; estabilização da doença em 28,6% |
| 19091133 | 2008 | Observacional | J Occup Med Toxicol | Oxaliplatina ± gencitabina em pacientes com mesotelioma pleural maligno pré-tratados com pemetrexede |
| 10930799 | 2000 | Revisão | Eur J Cancer | Experiência do Instituto Gustave Roussy com 163 pacientes com mesotelioma; discute a combinação raltitrexede-oxaliplatina |
| 15261443 | 2004 | Revisão | Lung Cancer | Revisão da quimioterapia no mesotelioma pleural maligno: poucas respostas acima de 30% com citotóxicos tradicionais |
| 11836672 | 2002 | Revisão | Semin Oncol | Papel emergente dos antifolatos; destaca os regimes pemetrexede/cisplatina e raltitrexede/oxaliplatina |
| 31455014 | 2019 | Pré-clínico/Revisão | Int J Mol Sci | Efeito de cisplatina, oxaliplatina e pemetrexede sobre a expressão de checkpoints imunológicos, em apoio a combinações com imunoterapia |
Informações de Comercialização no Brasil
Não há registros da oxaliplatina na ANVISA nos dados compilados para este relatório (0 registros; situação: não comercializado).
Citotoxicidade
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Classificação de Citotoxicidade | Citotóxico convencional (agente de platina, análogo da cisplatina com ligante DACH) |
| Risco de Mielossupressão | Consulte as advertências e precauções na bula |
| Classificação de Emetogenicidade | Consulte as advertências e precauções na bula |
| Itens de Monitoramento | Hemograma completo, função hepática e renal (compatível com as doenças relacionadas nas contraindicações do grafo de conhecimento); avaliação neurológica periférica |
| Proteção no Manuseio | Seguir os regulamentos de manuseio de citotóxicos |
Considerações de Segurança
- Doenças associadas a contraindicação (grafo de conhecimento TxGNN, não texto de bula): doença renal, piureter, doença hepática, doença da vesícula biliar, doença do sistema nervoso periférico, neuropatia periférica, doença pulmonar intersticial, fibrose pulmonar e fibrose pulmonar pós-inflamatória.
- Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações; as mais relevantes entre as listadas:
- Grave: dolasetrona.
- Moderadas: famotidina, anfotericina B (inclusive complexo lipídico), loperamida, mesalazina, balsalazida, bisacodil, metronidazol, claritromicina, picossulfato, polietilenoglicol com eletrólitos, palonosetrona, sulfato de sódio, vancomicina, canamicina, naltrexona, levofloxacino, lactitol e lactulose.
As advertências e contraindicações da bula brasileira não estavam disponíveis; consulte a bula para informações completas de segurança.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold
Justificativa:
- Há dois estudos de Fase 2 diretamente relevantes (ambos com 29 participantes; um concluído, outro com status desconhecido) e vários estudos de Fase 2 publicados, mas sem Fase 3, com resultados heterogêneos (inclusive um estudo de segunda linha negativo) e sem demonstração de superioridade sobre o padrão. A oxaliplatina também não tem registro no Brasil e as informações de segurança da bula estão ausentes, o que impede avançar para a triagem de segurança.
Para prosseguir, é necessário:
- Obter e analisar a bula aprovada (advertências e contraindicações) na ANVISA.
- Complementar os dados de mecanismo de ação via DrugBank.
- Avaliar os resultados do NCT00859469 (concluído) e comparar com o esquema padrão cisplatina/pemetrexede.
- Verificar a viabilidade regulatória no Brasil (ausência de registro vigente) antes de qualquer plano de desenvolvimento.
- Se houver interesse em outras indicações, o carcinoma de mama feminino (L2, Fase 2 terminado com n=18) e os subtipos de mesotelioma (epitelioide, sarcomatoide) têm evidência ainda mais limitada; os sarcomas embrionários listados dependem apenas da previsão do modelo (L5).
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.