Megestrol Acetate
| Nível de evidência: L2 | Indicações previstas: 10 |
Índice
- Megestrol Acetate
- Acetato de Megestrol: De antineoplásico (indicação genérica) para carcinoma endometrial do corpo uterino
Acetato de Megestrol: De antineoplásico (indicação genérica) para carcinoma endometrial do corpo uterino
Resumo em Uma Frase
O acetato de megestrol é uma progestina sintética, registrada no Brasil com a indicação genérica de "antineoplásico". O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para carcinoma endometrial do corpo uterino (uterine corpus endometrial carcinoma), atualmente com 1 ensaio clínico (Phase 2, concluído) apoiando esta direção. Não há literatura específica associada a esta indicação nos dados compilados.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Antineoplásico |
| Nova Indicação Prevista | Carcinoma endometrial do corpo uterino (uterine corpus endometrial carcinoma) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,94% |
| Nível de Evidência | L2 |
| Situação no Mercado Brasileiro | Apenas registros cancelados |
| Número de Registros | 1 (0 válidos, 1 cancelado) |
| Decisão Recomendada | Proceed with Guardrails |
Por que Esta Previsão é Razoável?
O acetato de megestrol é uma progestina sintética que atua nos receptores de progesterona. A terapia com progestágenos é uma abordagem hormonal estabelecida para o carcinoma endometrial com receptores hormonais positivos, pois induz diferenciação e supressão do crescimento das células endometriais. Atualmente, não há dados detalhados de mecanismo de ação no registro do fármaco; a descrição acima baseia-se no conhecimento farmacológico geral da classe.
A indicação original (antineoplásico, de forma genérica) já situa o fármaco em oncologia, e o câncer endometrial é um tumor classicamente sensível a hormônios. Por isso, o uso de um progestágeno nesse cenário tem lógica biológica.
O ensaio disponível (NCT00729586) é um estudo Phase 2 randomizado e concluído, em que um regime hormonal contendo megestrol (com tamoxifeno) foi comparado com temsirolimus. Como a pergunta principal do estudo era sobre o temsirolimus, a evidência para o megestrol isolado é indireta.
Evidências de Ensaios Clínicos
| Número do Ensaio | Fase | Status | Participantes | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| NCT00729586 | Phase 2 | Concluído | 73 | Temsirolimus isolado ou associado a terapia hormonal (megestrol + tamoxifeno) em câncer endometrial avançado, persistente ou recorrente. O megestrol faz parte de um braço combinado, o que limita a atribuição do efeito ao fármaco isolado. |
Informações de Comercialização no Brasil
| Número de Registro | Nome Comercial | Forma Farmacêutica | Indicação Aprovada |
|---|---|---|---|
| Registro nº 106460123 (cancelado) | FEMIGESTROL | Não informada | Antineoplásico |
Citotoxicidade
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Classificação de Citotoxicidade | Terapia hormonal (progestina), não é citotóxico convencional |
| Risco de Mielossupressão | Baixo (sem dados específicos compilados; consulte a bula) |
| Classificação de Emetogenicidade | Baixa |
| Itens de Monitoramento | Glicemia, pressão arterial, função hepática e renal; função adrenal em uso prolongado ou em altas doses |
| Proteção no Manuseio | Consulte as advertências e precauções na bula |
Considerações de Segurança
- Contraindicações previstas pelo grafo de conhecimento (não provenientes da bula): hipertensão, doença renal, doença hepática, doença da vesícula biliar, hiperglicemia, diabetes mellitus, cetoacidose diabética, insuficiência adrenocortical (doença de Addison), hipogonadismo masculino, menopausa precoce e síndrome de insensibilidade androgênica.
- Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações, das quais as principais listadas (todas de nível moderado) são com antidiabéticos: acarbose, metformina, pioglitazona, glimepirida, repaglinida, clorpropamida, inibidores de DPP-4 (alogliptina, linagliptina, saxagliptina, sitagliptina), inibidores de SGLT2 (canagliflozina, dapagliflozina, empagliflozina), agonistas de GLP-1 (albiglutida, dulaglutida, semaglutida) e insulinas (asparte, degludeca). Também há interação moderada com aprepitanto e claritromicina. O efeito sobre a glicemia é coerente com a contraindicação em hiperglicemia/diabetes.
- Os dados de advertências e contraindicações da bula brasileira não estavam disponíveis; consulte a bula para informações de segurança completas.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Proceed with Guardrails
Justificativa:
- Há um ensaio Phase 2 randomizado e concluído em câncer endometrial com regime que inclui megestrol, e a progestina tem fundamento hormonal plausível nessa doença. Contudo, a evidência é indireta (braço combinado), não há literatura específica para esta indicação, e o único registro brasileiro está cancelado.
Para prosseguir, é necessário:
- Obter e analisar os resultados do NCT00729586, especialmente a contribuição do braço com megestrol.
- Obter a bula da ANVISA para avaliar advertências e contraindicações (lacuna de dados bloqueante para a triagem de segurança).
- Confirmar o mecanismo de ação em fontes como o DrugBank.
- Definir a situação regulatória: o registro está cancelado, e seria necessário um novo registro ou outra via de acesso.
- Estabelecer plano de monitoramento para pacientes com diabetes, hipertensão e doença hepática/renal, além de avaliar interações com antidiabéticos.
Outras Previsões do Modelo (Contexto)
A previsão com melhor sustentação é a de câncer de ovário, que tem um ensaio Phase 3 concluído (NCT00005975, n=288) e estudos Phase 2 de megestrol em doença refratária à platina (PMID 11593052, PMID 9856656). No entanto, o ensaio Phase 3 avaliou fogachos em mulheres tratadas para câncer de mama, não atividade antitumoral, e resultados não foram fornecidos; por isso, esse nível L1 deve ser interpretado com cautela e a recomendação é tratá-la como questão de pesquisa. As demais previsões (por exemplo, carcinossarcoma uterino, com evidência apenas indireta, e tumores raros) permanecem em Hold, com evidência limitada à previsão do modelo.
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.