Medroxyprogesterone Acetate
| Nível de evidência: L4 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Acetato de Medroxiprogesterona: Da contracepção à amenorreia
Resumo em Uma Frase
O acetato de medroxiprogesterona (MPA) é um progestágeno sintético, registrado no Brasil como progestágeno simples e anticoncepcional. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para amenorreia (amenorrhea), atualmente sem ensaios clínicos registrados, mas com 20 publicações recuperadas (em sua maioria revisões indiretas, sobre contracepção).
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Progestágenos simples |
| Nova Indicação Prevista | Amenorreia (amenorrhea) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,99% |
| Nível de Evidência | L4 |
| Situação no Mercado Brasileiro | ✗ Somente registros cancelados |
| Número de Registros | 8 (todos cancelados) |
| Decisão Recomendada | Hold |
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados para este relatório. Segundo informações conhecidas, o MPA é um progestágeno sintético. Na amenorreia secundária com estrogênio endógeno adequado, o desafio com progestágeno induz sangramento por privação ao transformar o endométrio preparado pelo estrogênio. Trata-se de um uso clínico consolidado, e a justificativa biológica é forte.
Porém, a literatura recuperada trata principalmente do uso contraceptivo (incluindo a amenorreia como efeito colateral do Depo-Provera), e não do tratamento da amenorreia. A evidência é, portanto, indireta, e a pontuação elevada do TxGNN é parcialmente explicada pelo conhecido efeito do fármaco de causar amenorreia.
Outras previsões do modelo incluem doença fibrocística da mama (L3, com dois relatos clínicos antigos e pequenos sobre o MPA), displasia mamária benigna, endometriose em diferentes localizações e hipoplasia renal. Esta última não tem vínculo mecanístico plausível e parece ser um artefato do modelo. Este relatório foca na previsão de maior pontuação.
Evidências da Literatura
Nenhum ensaio clínico está registrado para esta indicação. A literatura recuperada é composta majoritariamente por revisões (tier 3) sobre contracepção hormonal.
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 23641480 | 2013 | Revisão sistemática (Cochrane) | Cochrane Database Syst Rev | Contraceptivos injetáveis combinados são método reversível e altamente eficaz; aceitabilidade pode ser limitada por alterações no padrão de sangramento |
| 18843662 | 2008 | Revisão sistemática (Cochrane) | Cochrane Database Syst Rev | Versão anterior da revisão sobre injetáveis combinados |
| 8178904 | 1994 | Revisão | Am J Obstet Gynecol | DMPA 150 mg IM a cada 3 meses, com eficácia contraceptiva superior a 99%; aprovado pela FDA em 1992 |
| 8725701 | 1996 | Revisão | J Reprod Med | Aconselhamento e manejo de efeitos colaterais do DMPA |
| 8829701 | 1996 | Revisão | Int J Fertil Menopausal Stud | Opções contraceptivas de longa duração, com taxas anuais de gravidez inferiores a 1 por 100 mulheres-ano |
| 6119259 | 1981 | Revisão | Int J Gynaecol Obstet | Contracepção pós-parto, considerando a amenorreia pós-parto e a lactação |
| 6141923 | 1984 | Revisão | Drug Intell Clin Pharm | Infertilidade induzida por fármacos |
| 1604074 | 1992 | Revisão | Rev Med Liege | Contracepção hormonal |
| 8492647 | 1993 | Revisão | MCN Am J Matern Child Nurs | Depo-Provera |
| 120837 | 1979 | Revisão | IARC Monogr | Avaliação do risco carcinogênico do acetato de medroxiprogesterona |
Informações de Comercialização no Brasil
Todos os 8 registros estão cancelados; não há registro vigente.
| Número de Registro | Nome Comercial | Forma Farmacêutica | Indicação Aprovada |
|---|---|---|---|
| Registro 104971189 | DEMEDROX | Não informada | Progestágenos simples |
| Registro 121100400 | PROVERA | Não informada | Progestágenos simples |
| Registro 105830220 | CONTRACEP | Não informada | Progestágenos simples |
| Registro 121100367 | DEPO-PROVERA | Não informada | Progestágenos simples |
| Registro 110360266 | CYCLOFEMINA | Não informada | Anticoncepcionais |
Considerações de Segurança
- Contraindicações sugeridas pelo grafo de conhecimento (relações fármaco-doença do TxGNN/PrimeKG, não texto de bula): hipertensão, insuficiência e doença hepática, doença renal, epilepsia, asma, diabetes mellitus e cetoacidose diabética, osteoporose, lúpus eritematoso sistêmico, hipotireoidismo, doença da vesícula biliar, hipertrigliceridemia, hipercalcemia, transtornos de ansiedade, abuso de substâncias e carcinoma de mama feminino.
- Interações medicamentosas (100 registradas; nível moderado nos principais exemplos): antidiabéticos (acarbose, metformina, glimepiridina, clorpropamida, inibidores de SGLT2 como canagliflozina, dapagliflozina e empagliflozina, inibidores de DPP-4 como alogliptina e saxagliptina, agonistas de GLP-1 como semaglutida, liraglutida e dulaglutida, e insulinas), além de aprepitanto, dexametasona e claritromicina.
- Em relação à doença fibrocística, os dados apontam que o sinal de segurança mamária do MPA em terapia hormonal combinada exige cautela.
Consulte a bula para as advertências e contraindicações oficiais, que não estavam disponíveis nos dados compilados.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold
Justificativa:
- A previsão tem forte plausibilidade biológica, mas a evidência é indireta (L4), sem ensaios clínicos, e o fármaco não possui registro vigente no Brasil. Além disso, o uso do MPA para induzir sangramento de privação em amenorreia secundária já é prática clínica estabelecida, o que limita o caráter de "reposicionamento" da previsão.
Para prosseguir, é necessário:
- Obter a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), atualmente ausente
- Obter dados de mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank)
- Realizar busca de literatura específica sobre MPA no tratamento da amenorreia (primária e secundária), e não apenas sobre contracepção
- Confirmar a situação regulatória atual e a viabilidade de nova submissão, já que todos os registros estão cancelados
- Avaliar o perfil de segurança (mama, hepático, metabólico, ósseo) para a população-alvo
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.