Estradiol Valerate

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Estradiol Valerate
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Valerato de Estradiol: De estrogênios/anticoncepcionais para síndrome do X frágil sintomática em mulheres portadoras
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Outras Previsões do Modelo
    5. Evidências de Ensaios Clínicos
    6. Evidências da Literatura
    7. Informações de Comercialização no Brasil
    8. Considerações de Segurança
    9. Conclusão e Próximos Passos
    10. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Valerato de Estradiol: De estrogênios/anticoncepcionais para síndrome do X frágil sintomática em mulheres portadoras

Resumo em Uma Frase

O valerato de estradiol é um estrogênio, usado originalmente em terapia hormonal e em anticoncepcionais (geralmente em associação com outros fármacos). O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para a forma sintomática da síndrome do X frágil em mulheres portadoras (symptomatic form of fragile X syndrome in female carrier), mas atualmente há 0 ensaios clínicos e 0 publicações apoiando esta direção específica. Trata-se apenas de uma previsão do modelo.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Estrogênios associados a outros fármacos, exclusive androgênios
Nova Indicação Prevista Forma sintomática da síndrome do X frágil em mulheres portadoras (symptomatic form of fragile X syndrome in female carrier)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,94%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro Somente registros cancelados
Número de Registros 10 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação. Segundo informações conhecidas, o valerato de estradiol é um pró-fármaco do estradiol, o principal estrogênio natural, e foi registrado no Brasil como estrogênio associado a outros fármacos, anticoncepcional e hormônio sexual.

Mulheres portadoras da pré-mutação do gene FMR1 podem desenvolver insuficiência ovariana primária associada ao X frágil (FXPOI). Nesse cenário, a reposição de estrogênio é uma medida de suporte plausível para a deficiência hormonal. A relação, porém, é inferida: ela trataria o componente endócrino, não a síndrome em si.

Não foram encontrados ensaios ou literatura que sustentem essa ligação, e a pontuação elevada do modelo não substitui evidência clínica.

Outras Previsões do Modelo

Os dados compilados incluem outras indicações previstas, todas com pontuação acima de 99,9%:

Posição Indicação Prevista Pontuação Nível Observação
2 Blefarofimose-epicanto inverso-ptose (BPES) 99,92% L5 Reposição estrogênica poderia tratar apenas a insuficiência ovariana associada, não o fenótipo ocular/craniofacial
3 Trissomia/tetrassomia parcial do braço curto do cromossomo 5 99,92% L5 Sem relação mecanística identificável
4 Trissomia/tetrassomia parcial do braço curto do cromossomo 12 99,92% L5 Sem relação mecanística identificável
5 BPES por rearranjo 3q23 99,92% L5 Mesma lógica do BPES, apenas componente endócrino
6 Trissomia/tetrassomia parcial do braço curto do cromossomo 18 99,92% L5 Sem relação mecanística identificável
7 Anovulação 99,91% L3 Único caso com ensaio clínico registrado; evidência mista
8 Síndrome do remanescente ovariano 99,91% L5 Estrogênio exógeno não é tratamento estabelecido e pode ser contraproducente
9 Luteoma da gravidez 99,91% L5 Sem justificativa para uso de estradiol
10 Disfunção ovariana 99,91% L4 Apoio indireto, com formulação diferente

A indicação mais bem sustentada por dados é a anovulação (detalhada abaixo), embora o relatório siga a previsão de maior pontuação.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados para a indicação principal (síndrome do X frágil sintomática em mulheres portadoras).

Para referência, o ensaio disponível para a segunda indicação mais bem sustentada (anovulação):

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT02186782 Phase 4 Desconhecido 600 Estradiol associado a citrato de clomifeno versus citrato de clomifeno isolado na indução da ovulação em mulheres inférteis; sem resultados disponíveis e sem confirmação de que o estradiol seja o valerato

Evidências da Literatura

Atualmente não há literatura relacionada para a indicação principal.

Para referência, publicações selecionadas ligadas à anovulação e à disfunção ovariana (a maioria usa o valerato de estradiol como indutor de ovário policístico em modelos animais, ou seja, o fármaco causa o problema em vez de tratá-lo):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
36063826 2022 Estudo clínico randomizado Gynecol Endocrinol Efeito de diferentes doses de estrogênio (valerato de estradiol 4, 6 e 9 mg/dia) na expressão de receptores e na função ovariana em 88 pacientes com aborto recorrente inexplicado
33749482 2021 Estudo clínico Gynecol Endocrinol Estradiol/acetato de nomegestrol no controle de sintomas e da progressão de endometriose ovariana e profunda (formulação diferente)
9024224 1997 Estudo clínico J Clin Endocrinol Metab Efeitos da terapia hormonal com valerato de estradiol sobre os níveis de óxido nítrico em mulheres pós-menopausa
1472813 1992 Série de casos J Assist Reprod Genet Valerato de estradiol oral (6 mg/dia) e progesterona em programa de doação de óvulos para mulheres com falência ovariana
34171379 2021 Revisão Life Sci Modelos animais para compreender a etiopatogenia da síndrome dos ovários policísticos
40774400 2025 Revisão J Steroid Biochem Mol Biol Análise dos agentes indutores de SOP em modelos animais
12960066 2003 Estudo animal Endocrinology Valerato de estradiol administrado em ratas pré-púberes rompe a ciclicidade e causa morfologia ovariana cística na vida adulta
36029055 2022 Estudo animal Int J Fertil Steril Eugenol como tratamento em ratas com ovários policísticos induzidos por valerato de estradiol
16727693 1995 Estudo animal Theriogenology Disfunção ovariana induzida por valerato de estradiol em novilhas
30193590 2018 Estudo animal Reprod Biol Endocrinol Desnervação simpática farmacológica previne a SOP em ratas injetadas com valerato de estradiol

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 10 registros estão cancelados (nenhum válido). Principais registros:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 115600240 Finifert Não informada Estrogênios associados a outros fármacos, exclusive androgênios
Registro nº 170560127 Tambella Não informada Anticoncepcionais
Registro nº 170560054 Cicloprimogyna Não informada Hormônios sexuais, exclusive ocitócicos
Registro nº 170560049 Qlaira Não informada Anticoncepcionais
Registro nº 170560043 Mesigyna Não informada Anticoncepcionais

Considerações de Segurança

  • Contraindicações segundo o grafo de conhecimento (não extraídas da bula): o grafo de conhecimento do TxGNN associa o fármaco a contraindicação em, entre outras, hipertensão, epilepsia, doença hepática, doença da vesícula biliar, doença renal, insuficiência cardíaca congestiva, porfiria, lúpus eritematoso sistêmico, asma, diabetes mellitus, hipertrigliceridemia, hipotireoidismo, hipercalcemia, hiperplasia prostática benigna, ginecomastia e transtornos de ansiedade/distímicos. Esses itens devem ser confirmados na bula.
  • Interações medicamentosas: nenhuma interação foi encontrada na consulta realizada.

Para advertências e contraindicações oficiais, consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A previsão principal tem apenas suporte do modelo (L5), sem ensaios nem literatura. A relação plausível (FXPOI) trataria apenas o componente ovariano. Além disso, não há registro válido no Brasil, o que dificulta qualquer avanço regulatório imediato.

Para prosseguir, é necessário:

  • Revisão da literatura específica sobre reposição estrogênica em FXPOI/portadoras da pré-mutação FMR1
  • Dados de mecanismo de ação (MOA), atualmente ausentes
  • Bula e informações de advertências/contraindicações da ANVISA, ainda não obtidas
  • Avaliação da viabilidade regulatória, pois não há registros válidos e as formas farmacêuticas não constam nos dados
  • Se houver interesse em indicações com algum apoio (anovulação), aguardar resultados do NCT02186782 e confirmar a formulação de estradiol utilizada

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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