Droperidol
| Nível de evidência: L5 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Droperidol: Do uso em anestesia e antiemese à síndrome de Tourette
Observação: a indicação prevista de maior posição (rank 1) é a síndrome de Tourette, mas ela não tem nenhuma evidência clínica. A indicação com maior volume de evidências nos dados compilados é transtorno de cefaleia (headache disorder), discutida em destaque ao longo do relatório.
Resumo em Uma Frase
Droperidol é um neuroléptico da classe das butirofenonas, com forte antagonismo dopaminérgico D2. Os dados compilados não trazem indicação aprovada no Brasil, pois o fármaco não possui registro ativo na ANVISA. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Síndrome de Tourette (Tourette syndrome), atualmente com 0 ensaios clínicos e 0 publicações apoiando esta direção (apenas previsão computacional).
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Não disponível (nenhuma licença brasileira registrada) |
| Nova Indicação Prevista | Síndrome de Tourette (Tourette syndrome) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,89% |
| Nível de Evidência | L5 |
| Situação no Mercado Brasileiro | ✗ Não comercializado |
| Número de Registros | 0 |
| Decisão Recomendada | Hold |
Outras indicações previstas (resumo):
| Posição | Indicação | Pontuação TxGNN | Nível de Evidência | Recomendação |
|---|---|---|---|---|
| 2 | Tricotilomania | 99,89% | L5 | Hold |
| 3 | Transtorno bipolar maníaco | 99,82% | L3 | Questão de pesquisa |
| 4 | TDAH, tipo desatento | 99,68% | L5 | Hold |
| 5 | Síndrome de antidiurese inapropriada nefrogênica | 99,63% | L5 | Hold |
| 6 | TDAH | 99,54% | L5 | Hold |
| 7 | Transtorno de cefaleia | 99,47% | L3 | Questão de pesquisa |
| 8 | Resfriado comum | 99,46% | L5 | Hold |
| 9 | Hipertricose | 99,46% | L5 | Hold |
| 10 | Transtorno específico do desenvolvimento | 99,40% | L5 | Hold |
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o droperidol é uma butirofenona com potente antagonismo do receptor dopaminérgico D2, a mesma classe mecanística de haloperidol e pimozida, que são usados na síndrome de Tourette. Por isso, o vínculo mecanístico é plausível.
Contudo, a previsão se apoia apenas no modelo TxGNN, sem ensaios ou literatura. Na prática, o droperidol é pouco adequado: é parenteral, de ação curta e tem risco de prolongamento do intervalo QT, o que inviabiliza o uso crônico exigido em Tourette.
Entre as demais previsões, duas têm respaldo parcial:
- Mania bipolar: o antagonismo D2 produz tranquilização rápida na agitação aguda e na mania. A literatura (revisões Cochrane sobre psicose aguda e agitação, relatos de casos de mania grave) trata sobretudo de agitação e psicose, não de transtorno bipolar como diagnóstico definido.
- Cefaleia/enxaqueca: o antagonismo D2, associado ao efeito antiemético e central, fundamenta o uso de neurolépticos na enxaqueca aguda no pronto-socorro.
Várias previsões (TDAH, resfriado comum, hipertricose, antidiurese nefrogênica, transtorno do desenvolvimento) não têm justificativa mecanística plausível e provavelmente são artefatos do modelo. No TDAH, o bloqueio dopaminérgico vai contra a farmacologia dos tratamentos padrão.
Evidências de Ensaios Clínicos
Para a indicação de maior posição (Tourette), atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.
Para a indicação com mais evidências (transtorno de cefaleia):
| Número do Ensaio | Fase | Status | Participantes | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| NCT01406860 | NA | Encerrado | 19 | Droperidol vs. metoclopramida + difenidramina em cefaleias primárias no pronto-socorro (randomizado, duplo-cego). Encerrado precocemente, não permite conclusões de eficácia. |
Evidências da Literatura
Para Tourette, atualmente não há literatura relacionada.
Transtorno de cefaleia (indicação com mais literatura):
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 12552051 | 2003 | RCT | Neurology | Droperidol vs. placebo no tratamento da enxaqueca aguda (ensaio randomizado, duplo-cego) |
| 11781912 | 2002 | RCT | Am J Emerg Med | Eficácia do droperidol intramuscular na enxaqueca aguda em PS comunitário |
| 25600718 | 2015 | Diretriz | Headache | Avaliação de evidências da American Headache Society sobre o tratamento agudo da enxaqueca |
| 25416184 | 2015 | Revisão | Ann Pharmacother | Segurança e eficácia do droperidol na enxaqueca aguda |
| 21435315 | 2011 | Revisão sistemática | CJEM | Eficácia de butirofenonas em cefaleia primária no pronto-socorro |
| 24875925 | 2015 | Revisão sistemática | Cephalalgia | Recomendações da Sociedade Canadense de Cefaleia para dor de enxaqueca em emergência |
| 32839811 | 2020 | Revisão | Am J Health Syst Pharm | Reintrodução do droperidol na medicina de emergência: segurança, indicações e dosagem |
| 22309235 | 2012 | Revisão | Headache | Terapia de resgate na enxaqueca aguda, parte 2: neurolépticos, anti-histamínicos e outros |
| 9237411 | 1997 | Coorte/Observacional | Headache | Estudo-piloto com droperidol intravenoso em 35 pacientes com estado de mal migranoso ou enxaqueca refratária |
| 10452443 | 1999 | Série de casos | Am J Emerg Med | Revisão retrospectiva do droperidol intramuscular na enxaqueca aguda |
Mania bipolar (evidência indireta):
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 27976370 | 2016 | Revisão Cochrane | Cochrane Database Syst Rev | Droperidol para agitação ou agressividade induzida por psicose |
| 15495037 | 2004 | Revisão Cochrane | Cochrane Database Syst Rev | Droperidol na psicose aguda |
| 9789713 | 1998 | Relatos de casos e revisão | Clin Neuropharmacol | Droperidol oral no manejo provisório de mania grave (3 casos refratários) |
| 321727 | 1977 | Duplo-cego, controlado por placebo | J Nerv Ment Dis | Em 41 pacientes agitados, menos pacientes do grupo droperidol precisaram de haloperidol adicional |
| 10460140 | 1999 | Relato de caso (segurança) | Ann Emerg Med | Desconforto respiratório após uso de droperidol para agitação |
Informações de Comercialização no Brasil
O droperidol não possui registro ativo na ANVISA nos dados compilados (0 registros) e não é comercializado no Brasil.
Considerações de Segurança
- Contraindicações segundo o grafo de conhecimento (TxGNN/PrimeKG, não texto de bula):
- Cardiovasculares: hipertensão, hipotensão ortostática, síndrome do QT longo (incluindo familiar), torsades de pointes, síndrome de taquicardia postural ortostática, atrofia de múltiplos sistemas.
- Neurológicas: doenças dos núcleos da base, distonia focal da mão, blefaroespasmo.
- Respiratórias: DPOC, insuficiência respiratória.
- Psiquiátricas: transtornos de ansiedade, neuróticos e distímicos; abuso/dependência de substâncias.
- Outras: doença renal, doença hepática, doença da vesícula biliar, doença inflamatória intestinal, deficiência de potássio, hiperplasia prostática benigna, feocromocitoma e alguns tumores (duodeno, intestino delgado, coração).
- Interações medicamentosas (100 interações encontradas; exemplos):
- Graves: hidrocortisona, anfotericina B (e formulações lipídicas, lipossomal e sulfato de colesterila), morfina, naloxona, claritromicina, dolasetrona, ácido picossulfúrico, polietilenoglicol com eletrólitos.
- Moderadas: famotidina, epinefrina, loperamida, lorcasserina, bisacodil, difenoxina, difenoxilato, dronabinol, óleo de rícino.
- Preocupações de segurança na literatura: prolongamento do intervalo QT e desconforto respiratório (PMID 10460140).
Não há dados de advertências e contraindicações da bula brasileira; consulte a bula para informações de segurança.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold
Justificativa:
- Para Tourette (maior pontuação), há apenas previsão computacional (L5), sem ensaios ou literatura, e o perfil do droperidol (parenteral, ação curta, risco de QT) é inadequado para uso crônico. Não há registro no Brasil.
- Cefaleia/enxaqueca (L3) e mania/agitação (L3) são as linhas mais promissoras e podem ser tratadas como questões de pesquisa, mas as evidências são sobretudo revisões e dados observacionais, sem RCT de Fase 3 concluído nos dados compilados. O único ensaio registrado foi encerrado com 19 participantes.
Para prosseguir, é necessário:
- Obter e analisar a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), lacuna que bloqueia a triagem de segurança.
- Complementar os dados de mecanismo de ação (consulta ao DrugBank).
- Verificar a situação regulatória e a disponibilidade da forma injetável no Brasil, já que não há registro ativo.
- Avaliar de forma sistemática os RCTs de enxaqueca (PMIDs 12552051 e 11781912) e a segurança cardíaca (QT), com plano de monitoramento por ECG.
- Para mania/agitação, esclarecer se a evidência se aplica a transtorno bipolar definido, e não apenas a agitação inespecífica.
- Confirmar a compatibilidade da via de administração com as indicações pretendidas (status ainda pendente).
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.