Droperidol

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Droperidol
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Droperidol: Do uso em anestesia e antiemese à síndrome de Tourette
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Droperidol: Do uso em anestesia e antiemese à síndrome de Tourette

Observação: a indicação prevista de maior posição (rank 1) é a síndrome de Tourette, mas ela não tem nenhuma evidência clínica. A indicação com maior volume de evidências nos dados compilados é transtorno de cefaleia (headache disorder), discutida em destaque ao longo do relatório.

Resumo em Uma Frase

Droperidol é um neuroléptico da classe das butirofenonas, com forte antagonismo dopaminérgico D2. Os dados compilados não trazem indicação aprovada no Brasil, pois o fármaco não possui registro ativo na ANVISA. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Síndrome de Tourette (Tourette syndrome), atualmente com 0 ensaios clínicos e 0 publicações apoiando esta direção (apenas previsão computacional).

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Não disponível (nenhuma licença brasileira registrada)
Nova Indicação Prevista Síndrome de Tourette (Tourette syndrome)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,89%
Nível de Evidência L5
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Não comercializado
Número de Registros 0
Decisão Recomendada Hold

Outras indicações previstas (resumo):

Posição Indicação Pontuação TxGNN Nível de Evidência Recomendação
2 Tricotilomania 99,89% L5 Hold
3 Transtorno bipolar maníaco 99,82% L3 Questão de pesquisa
4 TDAH, tipo desatento 99,68% L5 Hold
5 Síndrome de antidiurese inapropriada nefrogênica 99,63% L5 Hold
6 TDAH 99,54% L5 Hold
7 Transtorno de cefaleia 99,47% L3 Questão de pesquisa
8 Resfriado comum 99,46% L5 Hold
9 Hipertricose 99,46% L5 Hold
10 Transtorno específico do desenvolvimento 99,40% L5 Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o droperidol é uma butirofenona com potente antagonismo do receptor dopaminérgico D2, a mesma classe mecanística de haloperidol e pimozida, que são usados na síndrome de Tourette. Por isso, o vínculo mecanístico é plausível.

Contudo, a previsão se apoia apenas no modelo TxGNN, sem ensaios ou literatura. Na prática, o droperidol é pouco adequado: é parenteral, de ação curta e tem risco de prolongamento do intervalo QT, o que inviabiliza o uso crônico exigido em Tourette.

Entre as demais previsões, duas têm respaldo parcial:

  • Mania bipolar: o antagonismo D2 produz tranquilização rápida na agitação aguda e na mania. A literatura (revisões Cochrane sobre psicose aguda e agitação, relatos de casos de mania grave) trata sobretudo de agitação e psicose, não de transtorno bipolar como diagnóstico definido.
  • Cefaleia/enxaqueca: o antagonismo D2, associado ao efeito antiemético e central, fundamenta o uso de neurolépticos na enxaqueca aguda no pronto-socorro.

Várias previsões (TDAH, resfriado comum, hipertricose, antidiurese nefrogênica, transtorno do desenvolvimento) não têm justificativa mecanística plausível e provavelmente são artefatos do modelo. No TDAH, o bloqueio dopaminérgico vai contra a farmacologia dos tratamentos padrão.

Evidências de Ensaios Clínicos

Para a indicação de maior posição (Tourette), atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.

Para a indicação com mais evidências (transtorno de cefaleia):

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT01406860 NA Encerrado 19 Droperidol vs. metoclopramida + difenidramina em cefaleias primárias no pronto-socorro (randomizado, duplo-cego). Encerrado precocemente, não permite conclusões de eficácia.

Evidências da Literatura

Para Tourette, atualmente não há literatura relacionada.

Transtorno de cefaleia (indicação com mais literatura):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
12552051 2003 RCT Neurology Droperidol vs. placebo no tratamento da enxaqueca aguda (ensaio randomizado, duplo-cego)
11781912 2002 RCT Am J Emerg Med Eficácia do droperidol intramuscular na enxaqueca aguda em PS comunitário
25600718 2015 Diretriz Headache Avaliação de evidências da American Headache Society sobre o tratamento agudo da enxaqueca
25416184 2015 Revisão Ann Pharmacother Segurança e eficácia do droperidol na enxaqueca aguda
21435315 2011 Revisão sistemática CJEM Eficácia de butirofenonas em cefaleia primária no pronto-socorro
24875925 2015 Revisão sistemática Cephalalgia Recomendações da Sociedade Canadense de Cefaleia para dor de enxaqueca em emergência
32839811 2020 Revisão Am J Health Syst Pharm Reintrodução do droperidol na medicina de emergência: segurança, indicações e dosagem
22309235 2012 Revisão Headache Terapia de resgate na enxaqueca aguda, parte 2: neurolépticos, anti-histamínicos e outros
9237411 1997 Coorte/Observacional Headache Estudo-piloto com droperidol intravenoso em 35 pacientes com estado de mal migranoso ou enxaqueca refratária
10452443 1999 Série de casos Am J Emerg Med Revisão retrospectiva do droperidol intramuscular na enxaqueca aguda

Mania bipolar (evidência indireta):

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
27976370 2016 Revisão Cochrane Cochrane Database Syst Rev Droperidol para agitação ou agressividade induzida por psicose
15495037 2004 Revisão Cochrane Cochrane Database Syst Rev Droperidol na psicose aguda
9789713 1998 Relatos de casos e revisão Clin Neuropharmacol Droperidol oral no manejo provisório de mania grave (3 casos refratários)
321727 1977 Duplo-cego, controlado por placebo J Nerv Ment Dis Em 41 pacientes agitados, menos pacientes do grupo droperidol precisaram de haloperidol adicional
10460140 1999 Relato de caso (segurança) Ann Emerg Med Desconforto respiratório após uso de droperidol para agitação

Informações de Comercialização no Brasil

O droperidol não possui registro ativo na ANVISA nos dados compilados (0 registros) e não é comercializado no Brasil.

Considerações de Segurança

  • Contraindicações segundo o grafo de conhecimento (TxGNN/PrimeKG, não texto de bula):
    • Cardiovasculares: hipertensão, hipotensão ortostática, síndrome do QT longo (incluindo familiar), torsades de pointes, síndrome de taquicardia postural ortostática, atrofia de múltiplos sistemas.
    • Neurológicas: doenças dos núcleos da base, distonia focal da mão, blefaroespasmo.
    • Respiratórias: DPOC, insuficiência respiratória.
    • Psiquiátricas: transtornos de ansiedade, neuróticos e distímicos; abuso/dependência de substâncias.
    • Outras: doença renal, doença hepática, doença da vesícula biliar, doença inflamatória intestinal, deficiência de potássio, hiperplasia prostática benigna, feocromocitoma e alguns tumores (duodeno, intestino delgado, coração).
  • Interações medicamentosas (100 interações encontradas; exemplos):
    • Graves: hidrocortisona, anfotericina B (e formulações lipídicas, lipossomal e sulfato de colesterila), morfina, naloxona, claritromicina, dolasetrona, ácido picossulfúrico, polietilenoglicol com eletrólitos.
    • Moderadas: famotidina, epinefrina, loperamida, lorcasserina, bisacodil, difenoxina, difenoxilato, dronabinol, óleo de rícino.
  • Preocupações de segurança na literatura: prolongamento do intervalo QT e desconforto respiratório (PMID 10460140).

Não há dados de advertências e contraindicações da bula brasileira; consulte a bula para informações de segurança.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • Para Tourette (maior pontuação), há apenas previsão computacional (L5), sem ensaios ou literatura, e o perfil do droperidol (parenteral, ação curta, risco de QT) é inadequado para uso crônico. Não há registro no Brasil.
  • Cefaleia/enxaqueca (L3) e mania/agitação (L3) são as linhas mais promissoras e podem ser tratadas como questões de pesquisa, mas as evidências são sobretudo revisões e dados observacionais, sem RCT de Fase 3 concluído nos dados compilados. O único ensaio registrado foi encerrado com 19 participantes.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), lacuna que bloqueia a triagem de segurança.
  • Complementar os dados de mecanismo de ação (consulta ao DrugBank).
  • Verificar a situação regulatória e a disponibilidade da forma injetável no Brasil, já que não há registro ativo.
  • Avaliar de forma sistemática os RCTs de enxaqueca (PMIDs 12552051 e 11781912) e a segurança cardíaca (QT), com plano de monitoramento por ECG.
  • Para mania/agitação, esclarecer se a evidência se aplica a transtorno bipolar definido, e não apenas a agitação inespecífica.
  • Confirmar a compatibilidade da via de administração com as indicações pretendidas (status ainda pendente).

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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