Desogestrel
| Nível de evidência: L3 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Desogestrel: De contracepção hormonal para amenorreia
Resumo em Uma Frase
Desogestrel é um progestágeno usado em contraceptivos hormonais, isolado (minipílula) ou combinado com etinilestradiol. Não há indicação original registrada no Brasil nos dados compilados. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Amenorreia (amenorrhea), atualmente com 1 ensaio clínico (de relevância indireta) e 11 publicações associadas a esta direção, a maioria indireta.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Não disponível nos dados compilados (nenhuma licença ANVISA ativa) |
| Nova Indicação Prevista | Amenorreia (amenorrhea) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,96% |
| Nível de Evidência | L3 |
| Situação no Mercado Brasileiro | ✗ Não comercializado |
| Número de Registros | 0 |
| Decisão Recomendada | Hold |
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o desogestrel é um progestágeno que suprime as gonadotrofinas e é usado em combinação com etinilestradiol em contraceptivos orais. Ele é um pró-fármaco, metabolizado em sua forma ativa.
Na oligoamenorreia hipotalâmica, a terapia estrogênio-progestágeno pode restaurar o sangramento por privação e apoiar a saúde óssea. Há um estudo de coorte sobre densidade mineral óssea em mulheres jovens com oligoamenorreia hipotalâmica tratadas com contraceptivos orais (PMID 11725730).
É importante notar que o vínculo é sintomático e semelhante à reposição hormonal, e não modificador da doença: o desogestrel não trata a causa subjacente (deficiência energética hipotalâmica). A comparação com a indicação original (contracepção) ainda está pendente de análise.
Evidências de Ensaios Clínicos
| Número do Ensaio | Fase | Status | Participantes | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| NCT00946192 | Phase 3 | Concluído | 121 | Modulação da função reprodutiva e endócrina em atletas jovens; avalia se estrogênio transdérmico ou oral aumenta a densidade óssea em atletas adolescentes sem menstruação. Não está evidente que o desogestrel seja a intervenção estudada; os braços precisam ser verificados. |
Este ensaio é tratado apenas como contexto indireto e não pode ser considerado evidência direta de Phase 3 para o desogestrel.
Evidências da Literatura
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 11725730 | 2001 | Coorte/estudo clínico | J Reprod Med | Avalia se doses decrescentes de etinilestradiol afetam a perda óssea associada à amenorreia hipotalâmica |
| 8218004 | 1993 | Estudo clínico comparativo | Br J Obstet Gynaecol | Compara dois contraceptivos com 150 µg de desogestrel (20 ou 30 µg de etinilestradiol) quanto a confiabilidade, controle do ciclo e efeitos adversos |
| 8447356 | 1993 | Estudo clínico (tolerabilidade) | Am J Obstet Gynecol | Perfil de tolerabilidade de desogestrel/etinilestradiol; benefícios não contraceptivos dos contraceptivos orais |
| 3161265 | 1985 | Estudo farmacodinâmico | Acta Obstet Gynecol Scand Suppl | Avalia a androgenicidade de progestágenos, com ênfase no desogestrel |
| 35261299 | 2022 | Coorte (pílula de drospirenona, não desogestrel) | Gynecol Endocrinol | Perfil de sangramento da pílula de drospirenona vs. desogestrel 75 µg; o desogestrel mostra controle de ciclo ruim |
| 8324604 | 1993 | Revisão | Br Med Bull | Aceitabilidade e uso eficaz de contraceptivos orais combinados |
| 1436906 | 1992 | Revisão | Obstet Gynecol Surv | Pílulas com gestodeno, norgestimato e desogestrel |
| 8513962 | 1993 | Estudo comparativo | Fertil Steril | Agonista de GnRH vs. contraceptivo oral de baixa dose para dor pélvica na endometriose |
| 1604074 | 1992 | Revisão | Rev Med Liege | Contracepção hormonal |
| 7838435 | 1994 | Revisão | Nurse Pract | Breve revisão de contraceptivos orais combinados |
Nenhuma publicação demonstra diretamente a eficácia do desogestrel no tratamento da amenorreia.
Considerações de Segurança
- Contraindicações (grafo de conhecimento do TxGNN, não texto de bula): hipertensão, epilepsia, doença hepática, doença da vesícula biliar, diabetes mellitus e cetoacidose diabética, hiperglicemia, hipertrigliceridemia, porfirias, lúpus eritematoso sistêmico, asma, hipotireoidismo, hipercalcemia, carcinoma de mama feminino, tromboflebite, leiomioma uterino e transtornos de ansiedade/distimia.
- Interações Medicamentosas: 43 interações registradas, todas as 20 listadas de nível moderado, principalmente com fármacos antidiabéticos e que afetam a glicemia:
- Insulinas (asparte, degludeca, detemir, glulisina, lispro, humana)
- Agonistas de GLP-1 (albiglutida, liraglutida, lixisenatida)
- Inibidores de DPP-4 (alogliptina, linagliptina)
- Inibidores de SGLT2 (dapagliflozina, ertugliflozina)
- Metformina, nateglinida, rosiglitazona, metreleptina
- Aprepitanto e fenilbutirato de glicerol
- Risco tromboembólico: estudos de coorte/caso-controle sobre tromboembolismo venoso associado a contraceptivos orais combinados (PMID 10652979) reforçam a necessidade de cautela.
As advertências e contraindicações da bula brasileira não foram obtidas; consulte a bula para informações de segurança completas.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold
Justificativa: A pontuação do modelo é alta, mas a evidência direta é limitada: o único ensaio (Phase 3) não demonstra que o desogestrel seja a intervenção avaliada, e a literatura é composta sobretudo por revisões e estudos indiretos com contraceptivos combinados. Além disso, o fármaco não tem registro ativo no Brasil e faltam dados de bula e de mecanismo, o que impede avançar na triagem de segurança.
Para prosseguir, é necessário:
- Verificar os braços de intervenção do NCT00946192 para confirmar se o desogestrel é avaliado.
- Obter a bula da ANVISA (advertências e contraindicações) e dados de mecanismo de ação (DrugBank).
- Esclarecer a situação regulatória no Brasil (ausência de registros) e a viabilidade de vias de administração.
- Buscar estudos que avaliem desogestrel (isolado ou combinado) em amenorreia, separando o efeito do progestágeno do efeito do estrogênio.
- Definir a similaridade com a indicação original e analisar a relação risco-benefício, dadas as contraindicações (p. ex., risco tromboembólico, hipertensão, doença hepática).
Outras indicações previstas (contexto): acne (L3; ensaio de fase 4 com norgestimato, não desogestrel, além de estudos específicos de desogestrel como PMID 8894800 e 8689881) é a segunda direção com mais evidências. As demais previsões (adenose mamária, abscesso mamário, necrose gordurosa da mama, doença da lactação, insuficiência ovariana primária e síndrome do X frágil em portadoras) têm apenas previsão do modelo ou evidência indireta (L4–L5), e a recomendação para elas é Hold.
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.