Desogestrel

Nível de evidência: L3 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Desogestrel
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Desogestrel: De contracepção hormonal para amenorreia
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Considerações de Segurança
    7. Conclusão e Próximos Passos
    8. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Desogestrel: De contracepção hormonal para amenorreia

Resumo em Uma Frase

Desogestrel é um progestágeno usado em contraceptivos hormonais, isolado (minipílula) ou combinado com etinilestradiol. Não há indicação original registrada no Brasil nos dados compilados. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Amenorreia (amenorrhea), atualmente com 1 ensaio clínico (de relevância indireta) e 11 publicações associadas a esta direção, a maioria indireta.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Não disponível nos dados compilados (nenhuma licença ANVISA ativa)
Nova Indicação Prevista Amenorreia (amenorrhea)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,96%
Nível de Evidência L3
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Não comercializado
Número de Registros 0
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o desogestrel é um progestágeno que suprime as gonadotrofinas e é usado em combinação com etinilestradiol em contraceptivos orais. Ele é um pró-fármaco, metabolizado em sua forma ativa.

Na oligoamenorreia hipotalâmica, a terapia estrogênio-progestágeno pode restaurar o sangramento por privação e apoiar a saúde óssea. Há um estudo de coorte sobre densidade mineral óssea em mulheres jovens com oligoamenorreia hipotalâmica tratadas com contraceptivos orais (PMID 11725730).

É importante notar que o vínculo é sintomático e semelhante à reposição hormonal, e não modificador da doença: o desogestrel não trata a causa subjacente (deficiência energética hipotalâmica). A comparação com a indicação original (contracepção) ainda está pendente de análise.

Evidências de Ensaios Clínicos

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT00946192 Phase 3 Concluído 121 Modulação da função reprodutiva e endócrina em atletas jovens; avalia se estrogênio transdérmico ou oral aumenta a densidade óssea em atletas adolescentes sem menstruação. Não está evidente que o desogestrel seja a intervenção estudada; os braços precisam ser verificados.

Este ensaio é tratado apenas como contexto indireto e não pode ser considerado evidência direta de Phase 3 para o desogestrel.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
11725730 2001 Coorte/estudo clínico J Reprod Med Avalia se doses decrescentes de etinilestradiol afetam a perda óssea associada à amenorreia hipotalâmica
8218004 1993 Estudo clínico comparativo Br J Obstet Gynaecol Compara dois contraceptivos com 150 µg de desogestrel (20 ou 30 µg de etinilestradiol) quanto a confiabilidade, controle do ciclo e efeitos adversos
8447356 1993 Estudo clínico (tolerabilidade) Am J Obstet Gynecol Perfil de tolerabilidade de desogestrel/etinilestradiol; benefícios não contraceptivos dos contraceptivos orais
3161265 1985 Estudo farmacodinâmico Acta Obstet Gynecol Scand Suppl Avalia a androgenicidade de progestágenos, com ênfase no desogestrel
35261299 2022 Coorte (pílula de drospirenona, não desogestrel) Gynecol Endocrinol Perfil de sangramento da pílula de drospirenona vs. desogestrel 75 µg; o desogestrel mostra controle de ciclo ruim
8324604 1993 Revisão Br Med Bull Aceitabilidade e uso eficaz de contraceptivos orais combinados
1436906 1992 Revisão Obstet Gynecol Surv Pílulas com gestodeno, norgestimato e desogestrel
8513962 1993 Estudo comparativo Fertil Steril Agonista de GnRH vs. contraceptivo oral de baixa dose para dor pélvica na endometriose
1604074 1992 Revisão Rev Med Liege Contracepção hormonal
7838435 1994 Revisão Nurse Pract Breve revisão de contraceptivos orais combinados

Nenhuma publicação demonstra diretamente a eficácia do desogestrel no tratamento da amenorreia.

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (grafo de conhecimento do TxGNN, não texto de bula): hipertensão, epilepsia, doença hepática, doença da vesícula biliar, diabetes mellitus e cetoacidose diabética, hiperglicemia, hipertrigliceridemia, porfirias, lúpus eritematoso sistêmico, asma, hipotireoidismo, hipercalcemia, carcinoma de mama feminino, tromboflebite, leiomioma uterino e transtornos de ansiedade/distimia.
  • Interações Medicamentosas: 43 interações registradas, todas as 20 listadas de nível moderado, principalmente com fármacos antidiabéticos e que afetam a glicemia:
    • Insulinas (asparte, degludeca, detemir, glulisina, lispro, humana)
    • Agonistas de GLP-1 (albiglutida, liraglutida, lixisenatida)
    • Inibidores de DPP-4 (alogliptina, linagliptina)
    • Inibidores de SGLT2 (dapagliflozina, ertugliflozina)
    • Metformina, nateglinida, rosiglitazona, metreleptina
    • Aprepitanto e fenilbutirato de glicerol
  • Risco tromboembólico: estudos de coorte/caso-controle sobre tromboembolismo venoso associado a contraceptivos orais combinados (PMID 10652979) reforçam a necessidade de cautela.

As advertências e contraindicações da bula brasileira não foram obtidas; consulte a bula para informações de segurança completas.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa: A pontuação do modelo é alta, mas a evidência direta é limitada: o único ensaio (Phase 3) não demonstra que o desogestrel seja a intervenção avaliada, e a literatura é composta sobretudo por revisões e estudos indiretos com contraceptivos combinados. Além disso, o fármaco não tem registro ativo no Brasil e faltam dados de bula e de mecanismo, o que impede avançar na triagem de segurança.

Para prosseguir, é necessário:

  • Verificar os braços de intervenção do NCT00946192 para confirmar se o desogestrel é avaliado.
  • Obter a bula da ANVISA (advertências e contraindicações) e dados de mecanismo de ação (DrugBank).
  • Esclarecer a situação regulatória no Brasil (ausência de registros) e a viabilidade de vias de administração.
  • Buscar estudos que avaliem desogestrel (isolado ou combinado) em amenorreia, separando o efeito do progestágeno do efeito do estrogênio.
  • Definir a similaridade com a indicação original e analisar a relação risco-benefício, dadas as contraindicações (p. ex., risco tromboembólico, hipertensão, doença hepática).

Outras indicações previstas (contexto): acne (L3; ensaio de fase 4 com norgestimato, não desogestrel, além de estudos específicos de desogestrel como PMID 8894800 e 8689881) é a segunda direção com mais evidências. As demais previsões (adenose mamária, abscesso mamário, necrose gordurosa da mama, doença da lactação, insuficiência ovariana primária e síndrome do X frágil em portadoras) têm apenas previsão do modelo ou evidência indireta (L4–L5), e a recomendação para elas é Hold.

Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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