Colchicine
| Nível de evidência: L5 | Indicações previstas: 3 |
Índice
Colchicina: De antiinflamatório/antigotoso para Febre Familiar do Mediterrâneo
Resumo em Uma Frase
Colchicina é um fármaco originalmente classificado no Brasil como antiinflamatório antirreumático e antigotoso. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Febre Familiar do Mediterrâneo, autossômica dominante (familial Mediterranean fever, autosomal dominant), atualmente com 0 ensaios clínicos registrados e 20 publicações (em sua maioria revisões) apoiando esta direção.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Antiinflamatórios antirreumáticos (e antigotosos) |
| Nova Indicação Prevista | Febre Familiar do Mediterrâneo, autossômica dominante (familial Mediterranean fever, autosomal dominant) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,38% |
| Nível de Evidência | L1 (atribuído com base em ensaios clássicos de fase 3 controlados por placebo, dos anos 1970-80, que não constam nos dados compilados e precisam ser verificados; pelos dados disponíveis, a evidência seria L3) |
| Situação no Mercado Brasileiro | ✗ Apenas registros cancelados |
| Número de Registros | 7 (todos cancelados) |
| Decisão Recomendada | Proceed with Guardrails |
Observação: a indicação com maior pontuação TxGNN é a malária por Plasmodium falciparum (99,60%), mas ela tem apenas evidência L5 e racional fraco (Hold). Este relatório foca na Febre Familiar do Mediterrâneo, que tem a evidência mais robusta entre as três indicações previstas. A terceira indicação (dermatofibrossarcoma protuberans, 99,37%) também está em L5 e Hold.
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados de mecanismo de ação na base compilada. Segundo conhecimento estabelecido, a colchicina liga-se à tubulina e inibe a polimerização dos microtúbulos. Com isso, reduz a quimiotaxia e a degranulação de neutrófilos e suprime a ativação de IL-1β ligada ao inflamassoma NLRP3/pirina.
A Febre Familiar do Mediterrâneo (FMF) é causada por mutações de ganho de função no gene MEFV (pirina), que geram inflamação excessiva mediada por IL-1β, com crises de febre e serosite. A relação com a indicação original é direta: em ambas as situações (gota e FMF) há inflamação neutrofílica, e a colchicina atua nessa via. Ela é o tratamento de primeira linha da FMF, usado para prevenir crises e a amiloidose AA, conforme descrito em diretrizes e revisões (por exemplo, PMIDs 37298536, 32806879 e 30686512).
Um ponto de atenção: o rótulo "autossômica dominante" corresponde a um subtipo; a FMF típica tem herança autossômica recessiva, então o mapeamento na ontologia de doenças deve ser conferido.
Evidências de Ensaios Clínicos
Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados.
Evidências da Literatura
Foram identificadas 20 publicações, majoritariamente revisões. Seguem as 10 mais relevantes:
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 37298536 | 2023 | Revisão | Int J Mol Sci | Atualização sobre FMF, a doença autoinflamatória prototípica, incluindo resistência ao tratamento e adesão |
| 32806879 | 2020 | Revisão | Turk J Med Sci | Da patogênese ao tratamento: FMF é causada por mutações de ganho de função em MEFV (pirina); novidades em diagnóstico e terapia |
| 29768139 | 2018 | Revisão | N Engl J Med | Canaquinumabe em síndromes febris autoinflamatórias recorrentes, incluindo FMF (contexto de segunda linha) |
| 30686512 | 2019 | Revisão | Presse Med | FMF é a síndrome febril periódica hereditária mais frequente e antiga; associada a mutações em MEFV |
| 28413100 | 2017 | Revisão | Semin Arthritis Rheum | Colchicina é o padrão-ouro; até 5% dos pacientes são resistentes ou intolerantes; alternativas terapêuticas |
| 38925725 | 2024 | Revisão/comentário | J Am Coll Cardiol | Inflamação, colchicina e doença aterosclerótica na FMF |
| 25649364 | 2014 | Revisão | Acta Med (Hradec Kralove) | A colchicina é o agente que reduz o desenvolvimento de amiloidose e a frequência/gravidade das crises |
| 25760087 | 2015 | Revisão | Curr Med Chem | Agentes biológicos na FMF; 5% a 10% dos pacientes são resistentes ou intolerantes à colchicina |
| 36062765 | 2022 | Revisão | Clin Exp Rheumatol | Inibição de IL-1 na FMF; colchicina é a droga de escolha desde 1972; níveis regulados por glicoproteína-P e CYP3A4 |
| 26572612 | 2016 | Revisão | Curr Med Chem | Colchicina, biológicos e outras opções no tratamento da FMF |
Informações de Comercialização no Brasil
Todos os 7 registros encontrados estão cancelados; atualmente não há registro válido.
| Número de Registro | Nome Comercial | Forma Farmacêutica | Indicação Aprovada |
|---|---|---|---|
| Registro 120190075 | COXYM | Não informada | Antiinflamatórios antirreumáticos |
| Registro 101180109 | COLCHIS | Não informada | Antigotosos |
| Registro 154230203 | COLCHICINA | Não informada | Antigotosos |
| Registro 118190144 | COLCHICINA | Não informada | Antiinflamatórios antirreumáticos |
| Registro 118190397 | GOLTRITE | Não informada | Antiinflamatórios antirreumáticos |
Citotoxicidade
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Classificação de Citotoxicidade | Não aplicável como antineoplásico; trata-se de agente antimitótico (inibidor de microtúbulos) com toxicidade sistêmica |
| Risco de Mielossupressão | Consulte as advertências e precauções na bula (o grafo de conhecimento associa o fármaco a contraindicações em neutropenia, leucopenia, agranulocitose, trombocitopenia e anemia aplástica) |
| Classificação de Emetogenicidade | Consulte as advertências e precauções na bula (intolerância gastrointestinal é relatada na literatura) |
| Itens de Monitoramento | Hemograma completo, função hepática e renal, sinais de miotoxicidade |
| Proteção no Manuseio | Consulte as advertências e precauções na bula |
Considerações de Segurança
- Contraindicações e condições de risco (segundo o grafo de conhecimento TxGNN/PrimeKG, não o texto da bula): insuficiência hepática, insuficiência renal, doenças hematológicas (trombocitopenia, leucopenia, agranulocitose, neutropenia e anemia aplástica), úlcera péptica, miopatia e rabdomiólise, doenças diarreicas e nefropatia aguda por urato.
- Interações medicamentosas (100 interações registradas; principais exemplos):
- Graves: aprepitanto, claritromicina, eliglustate, rolapitanto, rosuvastatina, sinvastatina, cobicistate, deferiprona.
- Moderadas: metronidazol, cimetidina, eluxadolina, miconazol, tinidazol, deferasirox, ticagrelor, cloroquina, benznidazol, dissulfiram, fostamatinibe, cloreto de estrôncio Sr-89.
- O risco está ligado principalmente a inibidores de CYP3A4/glicoproteína-P e a estatinas (miotoxicidade).
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Proceed with Guardrails
Justificativa:
- A colchicina é o tratamento de primeira linha estabelecido para a FMF, com mecanismo diretamente ligado à via da pirina/IL-1β e ampla documentação em revisões e diretrizes. Porém, os dados compilados não trazem ensaios registrados nem estudos primários, e o mercado brasileiro tem apenas registros cancelados.
Para prosseguir, é necessário:
- Verificar os ensaios clássicos controlados por placebo que sustentam o nível L1, pois não constam nos dados compilados.
- Obter a bula da ANVISA (advertências e contraindicações), hoje ausente, e os dados formais de mecanismo de ação.
- Confirmar a disponibilidade local do produto, já que todos os registros estão cancelados.
- Definir salvaguardas: ajuste de dose por função renal e hepática, triagem de interações com CYP3A4/glicoproteína-P, monitoramento de intolerância gastrointestinal e miotoxicidade, e uso de inibidor de IL-1 (por exemplo, canaquinumabe) em casos resistentes ou intolerantes.
- Revisar o mapeamento do subtipo "autossômico dominante" na ontologia de doenças.
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.