Clarithromycin

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Clarithromycin
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Claritromicina: De macrolídeo antibacteriano a gamopatia monoclonal
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Claritromicina: De macrolídeo antibacteriano a gamopatia monoclonal

Resumo em Uma Frase

Claritromicina é um antibiótico macrolídeo sistêmico, originalmente usado no tratamento de infecções bacterianas (incluindo esquemas associados a antiulcerosos). O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para Gamopatia Monoclonal (Monoclonal Gammopathy), a previsão com maior suporte de evidências entre as candidatas, com 1 ensaio clínico e 20 publicações apoiando esta direção.

Observação: a previsão de maior pontuação (99,35%) é a síndrome de hiperviscosidade policlonal, mas sem nenhuma evidência associada. Este relatório destaca a gamopatia monoclonal por ser a única indicação com ensaio clínico direto e literatura substancial.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Macrolídeos (antibiótico sistêmico)
Nova Indicação Prevista Gamopatia Monoclonal (Monoclonal Gammopathy)
Pontuação de Previsão TxGNN 98,81%
Nível de Evidência L2 (1 ensaio de Fase 2 concluído, com combinação e sem resultados disponíveis)
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Somente registros cancelados
Número de Registros 20 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold (questão de pesquisa)

Para a indicação de maior pontuação (síndrome de hiperviscosidade policlonal, 99,35%), o nível de evidência é L5 e a decisão é Hold.

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação na base compilada. Segundo informações conhecidas, a claritromicina é um macrolídeo de anel de 14 membros, com eficácia comprovada em infecções bacterianas, e mecanisticamente pode ser aplicável a distúrbios de células plasmáticas.

A literatura descreve atividade antimieloma da claritromicina, provavelmente por inibição da autofagia, potencialização da ação de corticoides e imunomoduladores (lenalidomida, talidomida) e modulação de citocinas como a IL-6. Os regimes BiRd e BLT-D mostraram dados clínicos favoráveis em mieloma múltiplo e macroglobulinemia de Waldenström.

Ressalva importante: a maior parte dos dados é de doença maligna declarada, não da gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS), que é pré-maligna. Além disso, um ensaio randomizado de Fase 3 (PMID 34021118) não mostrou diferença significativa de sobrevida livre de progressão ao adicionar claritromicina a lenalidomida e dexametasona.

Evidências de Ensaios Clínicos

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT00006219 Phase 2 Concluído Não informado Ensaio randomizado comparando desidroepiandrosterona e claritromicina (Biaxin) em pacientes com MGUS ou gamopatia limítrofe, com objetivo de prevenir mieloma múltiplo. Resultados não disponíveis.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
34021118 2021 RCT (Fase 3) Blood Cancer J 286 pacientes com mieloma inelegíveis a transplante; lenalidomida + dexametasona com ou sem claritromicina, sem diferença significativa de sobrevida livre de progressão
34424561 2021 Ensaio Fase 2 Am J Hematol Esquema Car-BiRd (carfilzomibe/dexametasona, depois lenalidomida, claritromicina e dexametasona) em mieloma recém-diagnosticado
30792190 2019 Ensaio Fase 2 Blood Adv Claritromicina + pomalidomida + dexametasona em 120 pacientes com mieloma recidivado/refratário
24723438 2014 Coorte retrospectiva Am J Hematol Adição de claritromicina a lenalidomida/dexametasona em 24 pacientes com progressão, superando resistência
18759764 2008 Ensaio Fase 2 Br J Haematol Claritromicina, talidomida e dexametasona em baixas doses, bem tolerada em mieloma recidivado/refratário
12720150 2003 Estudo clínico Semin Oncol Talidomida isolada ou combinada com claritromicina e dexametasona na macroglobulinemia de Waldenström
12685831 2002 Estudo clínico Leuk Lymphoma Regime BLT-D em mieloma e macroglobulinemia de Waldenström
25687081 2015 Revisão Zhongguo Shi Yan Xue Ye Xue Za Zhi Revisão do progresso da claritromicina no mieloma múltiplo, com melhora de resposta e sobrevida em combinação com quimioterapia
20811702 2010 Pré-clínico Int J Oncol Claritromicina atenua a autofagia em células de mieloma
38039297 2023 Pré-clínico PLoS One Claritromicina supera a resistência mediada por células estromais a inibidores de proteassoma via bloqueio do fluxo autofágico

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 20 registros localizados estão cancelados; não há registro válido atualmente. Principais exemplos:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 105530200 Klaricid Não informada Macrolídeos
Registro nº 102351315 Clabat Não informada Macrolídeos
Registro nº 102351316 Clabat Não informada Antibióticos sistêmicos simples
Registro nº 116370192 Clarilib Não informada Macrolídeos
Registro nº 105730282 Omepramix Não informada Antiácidos e antiulcerosos associados

Considerações de Segurança

  • Possíveis contraindicações (grafo de conhecimento, não texto de bula): síndrome do QT longo, torsades de pointes, taquicardia ventricular, insuficiência e doença hepática, colestase, porfiria, doença renal, miastenia gravis, colite por Clostridium difficile, osteoporose e fratura óssea, doença da vesícula biliar, mononucleose infecciosa.
  • Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações; entre as listadas, destacam-se as de nível grave com abemaciclibe, fentanil e acalabrutinibe. Entre as de nível moderado estão paclitaxel, tramadol, nifedipino, afatinibe, etinilestradiol, hidrocortisona, adenosina e formoterol. Há ainda interações leves (dolutegravir, zidovudina, loratadina). Para uso em esquemas de mieloma, é essencial revisar as interações com os demais fármacos antineoplásicos.

Para advertências e contraindicações oficiais, consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A evidência para gamopatia monoclonal é a mais consistente entre as candidatas, mas vem sobretudo de mieloma múltiplo (doença maligna) e de esquemas combinados. O único ensaio em MGUS não tem resultados disponíveis e não isola o efeito da claritromicina, e o ensaio de Fase 3 não confirmou benefício adicional. As demais previsões (inclusive a de maior pontuação) são apenas previsões do modelo ou têm evidência indireta. Além disso, não há registro válido no Brasil.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter os resultados do ensaio NCT00006219 (MGUS) e o número de participantes
  • Dados detalhados do mecanismo de ação (MOA)
  • Bula oficial da ANVISA, com advertências e contraindicações
  • Avaliação do perfil de segurança cardíaca (QT) e das interações em pacientes com distúrbios de células plasmáticas
  • Verificar a viabilidade regulatória, dado que todos os registros brasileiros estão cancelados

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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