Atropine

Nível de evidência: L4 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Atropine
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Atropina: Do antiespasmódico gastrintestinal e midriático ao transtorno de enxaqueca
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Atropina: Do antiespasmódico gastrintestinal e midriático ao transtorno de enxaqueca

Resumo em Uma Frase

Atropina é um antagonista muscarínico, originalmente usado como antiespasmódico e anticolinérgico gastrintestinal e como midriático. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para transtorno de enxaqueca (migraine disorder), mas até o momento há 0 ensaios clínicos e apenas literatura pré-clínica e mecanística apoiando esta direção.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antiespasmódicos e anticolinérgicos gastrintestinais
Nova Indicação Prevista Transtorno de enxaqueca (migraine disorder)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,56%
Nível de Evidência L4
Situação no Mercado Brasileiro Apenas registros cancelados
Número de Registros 5 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação no registro do fármaco. Segundo informações conhecidas, a atropina é um antagonista muscarínico não seletivo, com efeitos antiespasmódicos, cicloplégicos e midriáticos, o que é coerente com suas indicações originais no Brasil.

Estudos pré-clínicos sugerem que a sinalização colinérgica em mastócitos meníngeos e em aferentes trigeminais contribui para a inflamação neurogênica e a nocicepção. Além disso, a estimulação parassimpática do gânglio esfenopalatino provoca extravasamento de proteínas plasmáticas na dura-máter. Assim, o bloqueio muscarínico é biologicamente plausível na enxaqueca.

Porém, todo o suporte vem de modelos animais ou in vitro. Não foram identificados ensaios clínicos em enxaqueca, e vários artigos recuperados tratam de temas alheios (topiramato e pressão intraocular, relatos de caso, farmacologia da anisodamina). Há ainda um alerta: um estudo em camundongos indica que a ativação muscarínica inibe a depressão cortical alastrante, o que sugere que o antagonismo poderia ser desfavorável, em vez de benéfico, na enxaqueca com aura.

Evidências de Ensaios Clínicos

Atualmente não há ensaios clínicos relacionados registrados para esta indicação.

Observação: para a indicação mais ampla de cefaleia (headache disorder), foram encontrados dois ensaios em cefaleia pós-punção dural, nos quais a mistura neostigmina/atropina é o comparador, e não a atropina isolada:

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT04910477 Phase 3 Concluído 90 Dexmedetomidina nebulizada vs. neostigmina/atropina vs. placebo em cefaleia pós-punção dural após cesariana
NCT03997006 Phase 4 Concluído 60 Aminofilina intravenosa vs. mistura neostigmina/atropina em cefaleia pós-punção dural

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
36485173 2024 Pré-clínico/mecanístico Eur J Neurosci Modulação colinérgica em mastócitos meníngeos e inflamação neurogênica em modelo de enxaqueca em ratos
9344563 1997 Estudo animal Exp Neurol Estimulação do gânglio esfenopalatino induz extravasamento de plasma na dura-máter de ratos
8930196 1996 Estudo animal J Pharmacol Exp Ther Sistema colinérgico central participa da antinocicepção induzida pelo sumatriptano
2943405 1986 Série de casos Cephalalgia Atropina sistêmica reduziu sudorese, lacrimejamento e secreção nasal nas crises de hemicrania paroxística crônica
17186568 2007 Revisão J Appl Toxicol Farmacologia da anisodamina, derivado da atropina (indireto)

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os registros encontrados estão cancelados; atualmente não há registro válido.

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 116370088 ATROPION — Antiespasmódicos e anticolinérgicos gastrintestinais
Registro nº 110850017 ATROFARMA — Antiespasmódicos e anticolinérgicos gastrintestinais
Registro nº 101860010 SANTROPINA — Antiespasmódicos e anticolinérgicos, associações medicamentosas
Registro nº 101470091 ATROPINA — Midriáticos
Registro nº 103110165 PASMODEX — Antiespasmódicos e anticolinérgicos gastrintestinais

Considerações de Segurança

  • Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações, em sua maioria de gravidade moderada. As principais incluem:
    • Opioides (fentanil, alfentanil, codeína, di-hidrocodeína, tramadol)
    • Outros anticolinérgicos e anti-histamínicos (hiosciamina, aclidínio, clorfeniramina, acrivastina, fenil-toloxamina)
    • Amitriptilina, amantadina, loperamida, galantamina, toxina botulínica tipo A, acebutolol e etanol
    • Interações menores com paracetamol e hidroclorotiazida
  • Sinais de segurança na literatura: relato de síndrome de vasoconstrição cerebral reversível após neostigmina/atropina em cefaleia pós-punção dural; atropina tópica pode elevar a pressão intraocular, especialmente em olhos predispostos a fechamento angular.

Para advertências e contraindicações formais, consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • A previsão para enxaqueca tem pontuação alta (99,56%), mas se apoia apenas em estudos animais e in vitro, sem ensaios clínicos. Um estudo sugere que o antagonismo muscarínico pode até ser desfavorável na enxaqueca com aura.
  • Outras previsões também ficaram em Hold. Em cefaleia, o nível L1 deve ser lido com cautela, pois os ensaios usam a mistura neostigmina/atropina como comparador. Em glaucoma de ângulo aberto, a atropina é fator de risco, não tratamento.
  • Todos os registros brasileiros estão cancelados.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar a bula na ANVISA (advertências e contraindicações), pois a triagem de segurança não pode avançar sem esses dados
  • Obter dados detalhados do mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank)
  • Realizar estudos clínicos que testem a atropina isoladamente em enxaqueca ou cefaleias trigêmino-autonômicas
  • Esclarecer a direção do efeito muscarínico (agonismo vs. antagonismo) na depressão cortical alastrante
  • Definir a via de administração e a formulação compatíveis, já que não há registro válido no Brasil

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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