Ascorbic Acid

Nível de evidência: L5 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Ascorbic Acid
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Ácido ascórbico: De vitaminas e suplementos para lesão (injury)
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Ácido ascórbico: De vitaminas e suplementos para lesão (injury)

Resumo em Uma Frase

O ácido ascórbico (vitamina C) foi registrado no Brasil como monovitamina e suplemento vitamínico, com usos associados em analgésicos e estimulantes do apetite. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para lesão (injury), a indicação de maior evidência clínica entre as previstas. Há 16 ensaios clínicos e 20 publicações nesta direção, porém em sua maioria pequenos, heterogêneos ou preclínicos.

Observação: a previsão de maior pontuação do modelo foi "malformação esofágica não sindrômica" (99,96%), mas sem nenhuma evidência de apoio. Este relatório destaca "lesão" por ter o maior corpo de evidência clínica, e comenta as demais previsões na conclusão.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Monovitaminas exceto vitamina K
Nova Indicação Prevista Lesão (injury)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,60%
Nível de Evidência L2 (ensaios de Fase 2 concluídos; sem Fase 3 concluído robusto)
Situação no Mercado Brasileiro ✗ Apenas registros cancelados
Número de Registros 20 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold (tratar como questão de pesquisa)

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados. Segundo informações conhecidas, o ácido ascórbico é um antioxidante hidrossolúvel e cofator essencial na síntese de colágeno. Sua eficácia como suplemento vitamínico é bem estabelecida, e mecanisticamente pode ser aplicável a situações de lesão tecidual.

A relação com a nova indicação está em três funções: eliminação de espécies reativas de oxigênio, apoio à função de barreira endotelial e participação na cicatrização. Isso é plausível em lesão pulmonar associada à sepse, queimaduras, estresse oxidativo em cirurgias e lesão por isquemia-reperfusão.

Ressalva importante: "lesão" é uma categoria muito heterogênea, e a evidência está fragmentada entre contextos clínicos distintos. Vários ensaios são pequenos, terminados precocemente ou pouco relacionados ao uso pretendido.

Evidências de Ensaios Clínicos

Foram selecionados os 10 ensaios mais relevantes (de 16 identificados).

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT02106975 Phase 2 Concluído 170 Infusão de vitamina C em lesão pulmonar aguda induzida por sepse; avalia falência de órgãos (SOFA), oxigenação e biomarcadores inflamatórios. Ensaio mais direto.
NCT05327348 Phase 3 Desconhecido 34 Ácido ascórbico parenteral perioperatório para reduzir estresse oxidativo em cirurgia de retalho livre; desfecho em biomarcador.
NCT03509662 Phase 2 Concluído 270 Vitamina C em altas doses na síndrome pós-parada cardíaca (lesão de reperfusão).
NCT04344184 Phase 2 Concluído 47 Segurança de infusão de vitamina C por 96 h em lesão pulmonar aguda por COVID-19.
NCT04153487 Phase 2 Concluído 40 Infusão de ácido ascórbico em lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI).
NCT01167569 Phase 4 Concluído 57 Vitamina C intravenosa em altas doses, duplo-cego, em cirurgia cardíaca.
NCT03965637 Phase 3 Concluído 80 Efeito do ácido ascórbico sobre perda sanguínea e cicatrização em histerectomia abdominal total.
NCT01434121 Phase 1/2 Concluído 24 Segurança do ácido ascórbico intravenoso em sepse humana.
NCT02455180 Phase 4 Concluído 20 Farmacocinética de dois regimes de vitamina C intravenosa em pacientes críticos; informa dose, não eficácia.
NCT01897792 Phase 2 Terminado 11 Vitaminas C e E em coagulopatia e pneumonia após trauma grave; encerrado precocemente, pouco informativo.

Outros ensaios do grupo (retirados, sem dados ou pouco relacionados) foram omitidos.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
38051821 2024 Diretriz J Burn Care Res Diretriz da Associação Americana de Queimaduras sobre ressuscitação no choque por queimadura.
23994411 2013 Meta-análise J Am Coll Cardiol Ácido ascórbico na prevenção de lesão renal aguda induzida por contraste.
31440996 2020 Revisão Neurocrit Care Vitamina C intravenosa em altas doses em traumatismo cranioencefálico: papel do estresse oxidativo na lesão secundária.
27600125 2016 Revisão Crit Care Clin Vitamina C na ressuscitação de queimados; antioxidantes reduzem a permeabilidade capilar, mas a utilidade ainda é incerta.
32768934 2020 Revisão Biomed Pharmacother Protocolos pós-concussão, incluindo nutracêuticos, com escassez de tratamentos baseados em evidência.
30802561 2019 Revisão J Am Acad Dermatol Manejo da dermatite aguda por radiação e proposta de algoritmo de tratamento.
37199082 2023 Estudo animal Clin Exp Pharmacol Physiol Melatonina + ácido ascórbico protegem contra lesão pulmonar por sepse em ratos.
21953354 2011 Estudo animal Intensive Care Med Ácido ascórbico atenua lesão miocárdica após parada cardíaca e choque elétrico em ratos.
25179654 2014 Estudo animal Spinal Cord Altas doses melhoram a recuperação funcional em contusão medular de ratos.
33675075 2021 Revisão JPEN Uso do ácido ascórbico em cuidados agudos e limitações de absorção oral.

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 20 registros estão cancelados; não há registro válido atualmente. Os principais:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro 170560016 REDOXON — Monovitaminas exceto vitamina K
Registro 101860038 SANTISAVIT C — Monovitaminas exceto vitamina K
Registro 103700204 CEVITA — Monovitaminas exceto vitamina K
Registro 110850028 VITAMINA C INJETÁVEL — Vitaminas e suplementos minerais
Registro 170560105 ASPIRINA C EFERVESCENTE — Analgésicos não narcóticos

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (com base no grafo de conhecimento, não em bula): o grafo de conhecimento do TxGNN associa o fármaco a contraindicações em doenças como hipertensão, doença renal, doença hepática, diabetes, hipercalcemia, nefrocalcinose, hiperoxalúria primária, hemocromatose hereditária, anemia falciforme, doença ulcerosa péptica, sarcoidose e epilepsia, entre outras. Deve ser confirmado na bula.
  • Interações medicamentosas: foram identificadas 25 interações. As de nível moderado incluem anfetamina, dextroanfetamina, lisdexanfetamina, metanfetamina, benzfetamina, hidróxido de alumínio, bortezomibe e deferoxamina. As de nível leve incluem paclitaxel, cisplatina, doxorrubicina, etinilestradiol, pseudoefedrina, efedrina, flecainida, flufenazina, indinavir e mexiletina.
  • Sinal de alerta: um estudo em animais (PMID 17953708) relatou que o ácido ascórbico com nitrito de sódio aumentou a carcinogênese esofágica em modelo de refluxo ácido, relevante para a previsão de doença esofágica.

Informações de advertências e contraindicações da bula não estavam disponíveis; consulte a bula.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold (tratar como questão de pesquisa)

Justificativa:

  • Para "lesão", há ensaios de Fase 2 concluídos (sepse, COVID-19, parada cardíaca), mas a categoria é heterogênea, os estudos são pequenos e há pouca evidência de eficácia confirmatória. Todos os registros brasileiros estão cancelados.
  • Entre as demais previsões, a maioria tem apenas pontuação do modelo (L5), como malformação esofágica, deficiência congênita de protrombina e displasias. "Doença esofágica" tem sinal de segurança em estudo animal. "Distúrbio por deficiência de vitamina" (L3) corresponde ao uso já estabelecido (escorbuto), não a um reposicionamento real, e poderia seguir com salvaguardas (confirmar deficiência por vitamina C plasmática, dose padrão, monitorar função renal e risco de oxalato).

Para prosseguir, é necessário:

  • Definir um contexto de lesão específico (por exemplo, lesão pulmonar na sepse ou queimaduras) em vez da categoria ampla.
  • Obter e analisar os resultados publicados dos ensaios de Fase 2 e, idealmente, um ensaio de Fase 3 bem desenhado.
  • Obter a bula da ANVISA com advertências e contraindicações, hoje ausentes.
  • Complementar os dados de mecanismo de ação.
  • Verificar a situação regulatória: sem registro válido no Brasil, seria necessário novo registro ou pedido de reativação.
  • Definir via de administração (provavelmente intravenosa) e dose, avaliando risco renal e de oxalato.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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