Aripiprazole

Nível de evidência: L1 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Aripiprazole
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Aripiprazol: Do uso como antipsicótico ao transtorno afetivo maior
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências de Ensaios Clínicos
    5. Evidências da Literatura
    6. Informações de Comercialização no Brasil
    7. Considerações de Segurança
    8. Conclusão e Próximos Passos
    9. Outras Indicações Previstas (Resumo)
    10. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Aripiprazol: Do uso como antipsicótico ao transtorno afetivo maior

Resumo em Uma Frase

Aripiprazol é um antipsicótico, registrado na ANVISA na classe dos antipsicóticos. O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para transtorno afetivo maior (major affective disorder), atualmente com 37 ensaios clínicos e 19 publicações apoiando esta direção.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Antipsicóticos
Nova Indicação Prevista Transtorno afetivo maior (major affective disorder)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,62%
Nível de Evidência L1
Situação no Mercado Brasileiro Somente registros cancelados
Número de Registros 20
Decisão Recomendada Proceed with Guardrails

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação nos dados compilados para este relatório. Segundo informações conhecidas, o aripiprazol é um agonista parcial dos receptores D2 e 5-HT1A e antagonista do 5-HT2A. Esse perfil sustenta o uso como terapia adjuvante a antidepressivos no transtorno depressivo maior, além de ter relevância para transtornos de humor bipolares.

A relação entre a indicação original e a nova é próxima: os antipsicóticos atípicos modulam as vias dopaminérgica e serotoninérgica, que também participam da regulação do humor. Em doses mais baixas que as usadas na psicose, esses fármacos funcionam como potencializadores de antidepressivos em pacientes com resposta inadequada.

Vale ressaltar que esta é, em grande parte, uma indicação já estabelecida (uso adjuvante no transtorno depressivo maior), e não um reposicionamento inédito. A situação de bula deve ser verificada frente aos registros regionais. No Brasil, todos os registros encontrados estão cancelados, o que limita a disponibilidade de alguns produtos.

Evidências de Ensaios Clínicos

Foram selecionados os ensaios mais relevantes, priorizando Fase 3 concluídos e controlados.

Número do Ensaio Fase Status Participantes Principais Achados
NCT00095823 Phase 3 Concluído 1200 Estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de 14 semanas; aripiprazol adjuvante a antidepressivo no transtorno depressivo maior
NCT00095758 Phase 3 Concluído 1151 Estudo de 14 semanas, duplo-cego e controlado por placebo, de segurança e eficácia como terapia adjuvante
NCT01421342 Phase 3 Concluído 1522 VAST-D: potencialização com aripiprazol vs. bupropiona vs. troca de tratamento em veteranos com depressão resistente
NCT00683852 Phase 3 Concluído 225 Duplo-cego, controlado por placebo; dose reduzida de aripiprazol adjuvante em pacientes com resposta inadequada a antidepressivo
NCT00876343 Phase 3 Concluído 586 Aripiprazol vs. placebo como adjuvante a ISRS ou IRSN
NCT00105196 Phase 3 Concluído 349 Estudo de 14 semanas, duplo-cego e controlado por placebo, como adjuvante a antidepressivo
NCT00095745 Phase 3 Concluído 1002 Estudo aberto de segurança e tolerabilidade de 52 semanas, sem braço controle
NCT00882362 Phase 3 Concluído 155 Administração de longo prazo como adjuvante a ISRS ou IRSN
NCT01111539 Phase 3 Encerrado precocemente 211 Combinação aripiprazol/escitalopram, duplo-cego; encerrado antes do previsto, o que reduz a confiabilidade
NCT00080314 Phase 3 Concluído 400 Aripiprazol vs. placebo em depressão bipolar I

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
42090141 2026 Revisão sistemática e meta-análise em rede JAMA Psychiatry Antipsicóticos adjuvantes no transtorno depressivo maior; a FDA aprovou 5 antipsicóticos atípicos para essa indicação
34986373 2022 Revisão sistemática e meta-análise em rede J Affect Disord Comparação de eficácia e descontinuação de estratégias de potencialização na depressão resistente
39739012 2025 Revisão sistemática e meta-análise em rede de RCTs Neuropsychopharmacology Eficácia relativa de tratamentos antidepressivos na depressão resistente
35861202 2023 Revisão sistemática e meta-análise J Psychopharmacol Tratamentos de potencialização e combinação na depressão resistente em estágio inicial
34238049 2021 Meta-análise J Psychopharmacol Antidepressivo + antipsicótico de segunda geração vs. escetamina vs. lítio na depressão maior
38454079 2024 RCT Mol Psychiatry ASCERTAIN-TRD: potencialização com aripiprazol ou EMTr vs. troca para venlafaxina
42283956 2026 Meta-análise em rede Adv Ther Eficácia e segurança de antipsicóticos atípicos aprovados como adjuvantes no transtorno depressivo maior
37149344 2023 Revisão Psychiatr Clin North Am Antidepressivos e antipsicóticos atípicos na depressão resistente; antipsicóticos são os agentes de potencialização mais estudados
36855876 2023 Revisão Am J Psychiatry Papel dos antipsicóticos no cenário terapêutico da depressão resistente
25963405 2016 Revisão Asia Pac Psychiatry Antipsicóticos como antidepressivos: aripiprazol, quetiapina e olanzapina aprovados como adjuvantes; eficazes em doses subantipsicóticas

Informações de Comercialização no Brasil

Todos os 20 registros estão cancelados. Os cinco principais:

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada
Registro nº 125680290 Aripiprazol Não informada Antipsicóticos
Registro nº 105730177 Aristab ODT Não informada Antipsicóticos
Registro nº 100630301 Aripiprazol Não informada Antipsicóticos
Registro nº 156490007 Aripiprazol Não informada Antipsicóticos
Registro nº 105730017 Aquarela Não informada Antipsicóticos

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (base de conhecimento TxGNN, não texto de bula): foram associadas ao fármaco condições como diabetes mellitus, hiperglicemia, cetoacidose diabética, neutropenia, agranulocitose, leucopenia, epilepsia, hipotensão ortostática, hiperlipidemia, obesidade, infarto do miocárdio, doença arterial coronariana, doenças da condução cardíaca, parada cardíaca súbita, transtornos cerebrovasculares e síndrome neuroléptica maligna.
  • Interações Medicamentosas: foram identificadas 100 interações; as principais exibidas incluem bupropiona (grave), que merece atenção especial, pois é usada com frequência na depressão. Há também interações de gravidade moderada com antidiabéticos (metformina, pioglitazona, acarbose, alogliptina, canagliflozina, clorpropamida, acetoexamida, albiglutida), anticolinérgicos (atropina, hiosciamina, clidínio), claritromicina, cimetidina, famotidina, cisaprida, epinefrina, aprepitanto, loperamida e clotrimazol.
  • Outras observações: relatos de comportamentos impulsivo-compulsivos associados ao aripiprazol, e a sonolência é um efeito comum dos antipsicóticos.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Proceed with Guardrails

Justificativa:

  • Há vários ensaios de Fase 3 concluídos, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo (por exemplo, NCT00095823, NCT00095758 e NCT00683852), além de meta-análises em rede, sustentando a eficácia adjuvante no transtorno depressivo maior (nível L1). Como a indicação já é estabelecida, o foco é regulatório e de segurança, não de descoberta.
  • Todos os registros brasileiros estão cancelados, e os dados de bula não estão disponíveis.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter e analisar as advertências e contraindicações da bula na ANVISA (lacuna bloqueante para a triagem de segurança).
  • Verificar a situação regulatória atual e os motivos dos cancelamentos dos registros no Brasil.
  • Complementar os dados de mecanismo de ação a partir do DrugBank.
  • Definir plano de monitoramento metabólico (glicemia, lipídios, peso), hematológico e cardiovascular, com atenção à interação com bupropiona e antidiabéticos.

Outras Indicações Previstas (Resumo)

As demais previsões têm evidência fraca. O tricotilomania (pontuação 99,26%, nível L3, recomendação: questão de pesquisa) conta com um ensaio aberto concluído (NCT00947154, n=12), um ensaio de Fase 2 controlado por placebo ainda sem recrutamento (NCT05545891) e vários relatos de caso. Há também relatos de tricotilomania induzida pelo próprio aripiprazol, de modo que a relação risco-benefício é incerta. As demais (síndrome de Asperger, síndrome de Phelan-McDermid, entre outras doenças raras) são apenas previsões computacionais, sem ensaios ou literatura, e permanecem em Hold.

Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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