Amikacin
| Nível de evidência: L4 | Indicações previstas: 10 |
Índice
Amicacina: De aminoglicosídeo antibacteriano à febre paratifoide
Resumo em Uma Frase
Amicacina (amikacin) é um antibiótico aminoglicosídeo, registrado na ANVISA com a indicação genérica "aminoglicosídeos". O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para febre paratifoide (paratyphoid fever), mas nenhum ensaio clínico foi registrado e as 8 publicações encontradas são, em sua maioria, estudos epidemiológicos e de perfil de sensibilidade, sem avaliação direta da amicacina como tratamento.
Visão Geral Rápida
| Item | Conteúdo |
|---|---|
| Indicação Original | Aminoglicosídeos (texto do registro na ANVISA) |
| Nova Indicação Prevista | Febre paratifoide (paratyphoid fever) |
| Pontuação de Previsão TxGNN | 99,82% |
| Nível de Evidência | L4 |
| Situação no Mercado Brasileiro | Apenas registros cancelados |
| Número de Registros | 3 (todos cancelados) |
| Decisão Recomendada | Hold |
Por que Esta Previsão é Razoável?
Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação. Segundo informações conhecidas, a amicacina pertence à classe dos aminoglicosídeos, antibióticos com ampla atividade contra bactérias Gram-negativas. A Salmonella paratyphi é, em princípio, um microrganismo Gram-negativo suscetível, o que explica a lógica da previsão.
Contudo, a previsão tem limitações importantes. A Salmonella é um patógeno intracelular e os aminoglicosídeos penetram mal nas células. Por isso, apesar da atividade in vitro, esses fármacos geralmente são clinicamente ineficazes na febre entérica. Os estudos disponíveis tratam sobretudo de epidemiologia e antibiogramas, não de ensaios de tratamento com amicacina.
Outras indicações previstas pelo modelo também têm pontuações altas (acima de 99%), mas apoio fraco. Febre tifoide, salmonelose e meningococcemia têm apenas literatura indireta (nível L4). Esclerodermia difusa, ceratoconjuntivite epitelial punctata, epiglotite, analbuminemia congênita, síndrome de hiperviscosidade policlonal e hiperamilasemia não têm nenhuma evidência (nível L5) nem plausibilidade mecanística.
Evidências da Literatura
| PMID | Ano | Tipo | Periódico | Principais Achados |
|---|---|---|---|---|
| 14596347 | 2003 | Epidemiologia | The New Microbiologica | Ocorrência de S. typhi e S. paratyphi na Jordânia entre 1988 e 2000, com foco em casos de diarreia |
| 27407999 | 2007 | Coorte | Medical Journal, Armed Forces India | Perfil de sensibilidade de S. typhi e S. paratyphi A em 45 casos de febre entérica no norte da Índia, com reaparecimento da sensibilidade ao cloranfenicol |
| 18383953 | 2007 | Coorte | Journal of the Indian Medical Association | Estudo clínico e microbiológico de 145 crianças com febre entérica e perfil de sensibilidade a antibióticos |
| 26905550 | 2014 | Coorte | JNMA (Nepal) | Frequência de isolados de hemocultura e antibiograma em hospital de ensino |
| 16410091 | 2006 | Série de casos | Journal of Pediatric Surgery | Quatro crianças com abscesso esplênico tratadas com aspiração por agulha e antibióticos |
| 30724049 | 2018 | Epidemiologia | Pakistan Journal of Biological Sciences | Isolamento e identificação de S. paratyphi em pacientes com febre entérica em Quetta |
| 2516600 | 1989 | Série de casos | Mikrobiyoloji Bülteni | Antibióticos usados em 48 pacientes com infecção por S. paratyphi B resistente ao tratamento clássico |
| 10505326 | 1999 | Relato de caso | Pediatric Hematology and Oncology | Colecistite alitiásica por S. paratyphi B em criança com leucemia, tratada com cefepima, amicacina e fator estimulador de granulócitos |
Também há um estudo de sensibilidade de S. typhi (PMID 8354556, 1993) em que as cepas foram sensíveis a aminoglicosídeos e ciprofloxacino, mas ele se refere à febre tifoide, não à paratifoide.
Informações de Comercialização no Brasil
| Número de Registro | Nome Comercial | Forma Farmacêutica | Indicação Aprovada | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Registro nº 113430141 | Sulfato de Amicacina | Não informada | Aminoglicosídeos | Cancelado |
| Registro nº 100410217 | Sulfato de Amicacina | Não informada | Aminoglicosídeos | Cancelado |
| Registro nº 103700297 | Sulfato de Amicacina | Não informada | Aminoglicosídeos | Cancelado |
Considerações de Segurança
- Contraindicações (baseadas no grafo de conhecimento, não na bula): doença renal, piureter, hipercalcemia, nefrocalcinose, distúrbios do metabolismo do fósforo, vertigem de origem no sistema nervoso central, miastenia gravis (inclusive de início na idade adulta), doenças da junção neuromuscular, parkinsonismo e doença de Parkinson.
- Interações medicamentosas: foram identificadas 100 interações, das quais as principais são:
- Maiores: sulfato de magnésio e manitol.
- Moderadas: anfotericina B (e suas formulações), canamicina, neomicina, ácido acetilsalicílico, inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, dexlansoprazol, pantoprazol, rabeprazol), mesalazina, balsalazida, olsalazina e exenatida.
- Aminoglicosídeos podem causar toxicidade ocular de superfície, e a nefrotoxicidade pode confundir a avaliação de parâmetros laboratoriais.
- Advertências e contraindicações da bula brasileira não estavam disponíveis; consulte a bula para informações complementares.
Conclusão e Próximos Passos
Decisão: Hold
Justificativa:
- Apesar da pontuação alta do TxGNN (99,82%), não há ensaios clínicos e a literatura é indireta (epidemiologia e antibiogramas). Um estudo comparativo em febre tifoide relatou eficácia clínica de apenas 36,4% com amicacina, contra 100% com ofloxacino. A penetração intracelular limitada dos aminoglicosídeos e a existência de alternativas estabelecidas (azitromicina, cefalosporinas de terceira geração, fluoroquinolonas) reduzem o interesse da proposta. Além disso, os três registros no Brasil estão cancelados.
Para prosseguir, é necessário:
- Obter a bula da ANVISA com advertências e contraindicações (lacuna bloqueante na triagem de segurança).
- Obter dados do mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
- Gerar dados clínicos comparativos de amicacina na febre paratifoide ou entérica, incluindo a penetração intracelular e o desempenho frente a esquemas padrão.
- Definir via de administração e forma farmacêutica compatíveis e verificar a situação regulatória atual (não há registro vigente no Brasil).
- Avaliar o perfil de risco de nefrotoxicidade e ototoxicidade e o plano de monitoramento, dadas as contraindicações indicadas.
Aviso de isenção de responsabilidade
Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.