Amikacin

Nível de evidência: L4 Indicações previstas: 10

Índice

  1. Amikacin
    1. Relatório de avaliação farmacêutica
  2. Amicacina: De aminoglicosídeo antibacteriano à febre paratifoide
    1. Resumo em Uma Frase
    2. Visão Geral Rápida
    3. Por que Esta Previsão é Razoável?
    4. Evidências da Literatura
    5. Informações de Comercialização no Brasil
    6. Considerações de Segurança
    7. Conclusão e Próximos Passos
    8. Aviso de isenção de responsabilidade

Relatório de avaliação farmacêutica

Amicacina: De aminoglicosídeo antibacteriano à febre paratifoide

Resumo em Uma Frase

Amicacina (amikacin) é um antibiótico aminoglicosídeo, registrado na ANVISA com a indicação genérica "aminoglicosídeos". O modelo TxGNN prevê que pode ser eficaz para febre paratifoide (paratyphoid fever), mas nenhum ensaio clínico foi registrado e as 8 publicações encontradas são, em sua maioria, estudos epidemiológicos e de perfil de sensibilidade, sem avaliação direta da amicacina como tratamento.

Visão Geral Rápida

Item Conteúdo
Indicação Original Aminoglicosídeos (texto do registro na ANVISA)
Nova Indicação Prevista Febre paratifoide (paratyphoid fever)
Pontuação de Previsão TxGNN 99,82%
Nível de Evidência L4
Situação no Mercado Brasileiro Apenas registros cancelados
Número de Registros 3 (todos cancelados)
Decisão Recomendada Hold

Por que Esta Previsão é Razoável?

Atualmente, não há dados detalhados sobre o mecanismo de ação. Segundo informações conhecidas, a amicacina pertence à classe dos aminoglicosídeos, antibióticos com ampla atividade contra bactérias Gram-negativas. A Salmonella paratyphi é, em princípio, um microrganismo Gram-negativo suscetível, o que explica a lógica da previsão.

Contudo, a previsão tem limitações importantes. A Salmonella é um patógeno intracelular e os aminoglicosídeos penetram mal nas células. Por isso, apesar da atividade in vitro, esses fármacos geralmente são clinicamente ineficazes na febre entérica. Os estudos disponíveis tratam sobretudo de epidemiologia e antibiogramas, não de ensaios de tratamento com amicacina.

Outras indicações previstas pelo modelo também têm pontuações altas (acima de 99%), mas apoio fraco. Febre tifoide, salmonelose e meningococcemia têm apenas literatura indireta (nível L4). Esclerodermia difusa, ceratoconjuntivite epitelial punctata, epiglotite, analbuminemia congênita, síndrome de hiperviscosidade policlonal e hiperamilasemia não têm nenhuma evidência (nível L5) nem plausibilidade mecanística.

Evidências da Literatura

PMID Ano Tipo Periódico Principais Achados
14596347 2003 Epidemiologia The New Microbiologica Ocorrência de S. typhi e S. paratyphi na Jordânia entre 1988 e 2000, com foco em casos de diarreia
27407999 2007 Coorte Medical Journal, Armed Forces India Perfil de sensibilidade de S. typhi e S. paratyphi A em 45 casos de febre entérica no norte da Índia, com reaparecimento da sensibilidade ao cloranfenicol
18383953 2007 Coorte Journal of the Indian Medical Association Estudo clínico e microbiológico de 145 crianças com febre entérica e perfil de sensibilidade a antibióticos
26905550 2014 Coorte JNMA (Nepal) Frequência de isolados de hemocultura e antibiograma em hospital de ensino
16410091 2006 Série de casos Journal of Pediatric Surgery Quatro crianças com abscesso esplênico tratadas com aspiração por agulha e antibióticos
30724049 2018 Epidemiologia Pakistan Journal of Biological Sciences Isolamento e identificação de S. paratyphi em pacientes com febre entérica em Quetta
2516600 1989 Série de casos Mikrobiyoloji Bülteni Antibióticos usados em 48 pacientes com infecção por S. paratyphi B resistente ao tratamento clássico
10505326 1999 Relato de caso Pediatric Hematology and Oncology Colecistite alitiásica por S. paratyphi B em criança com leucemia, tratada com cefepima, amicacina e fator estimulador de granulócitos

Também há um estudo de sensibilidade de S. typhi (PMID 8354556, 1993) em que as cepas foram sensíveis a aminoglicosídeos e ciprofloxacino, mas ele se refere à febre tifoide, não à paratifoide.

Informações de Comercialização no Brasil

Número de Registro Nome Comercial Forma Farmacêutica Indicação Aprovada Situação
Registro nº 113430141 Sulfato de Amicacina Não informada Aminoglicosídeos Cancelado
Registro nº 100410217 Sulfato de Amicacina Não informada Aminoglicosídeos Cancelado
Registro nº 103700297 Sulfato de Amicacina Não informada Aminoglicosídeos Cancelado

Considerações de Segurança

  • Contraindicações (baseadas no grafo de conhecimento, não na bula): doença renal, piureter, hipercalcemia, nefrocalcinose, distúrbios do metabolismo do fósforo, vertigem de origem no sistema nervoso central, miastenia gravis (inclusive de início na idade adulta), doenças da junção neuromuscular, parkinsonismo e doença de Parkinson.
  • Interações medicamentosas: foram identificadas 100 interações, das quais as principais são:
    • Maiores: sulfato de magnésio e manitol.
    • Moderadas: anfotericina B (e suas formulações), canamicina, neomicina, ácido acetilsalicílico, inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, dexlansoprazol, pantoprazol, rabeprazol), mesalazina, balsalazida, olsalazina e exenatida.
  • Aminoglicosídeos podem causar toxicidade ocular de superfície, e a nefrotoxicidade pode confundir a avaliação de parâmetros laboratoriais.
  • Advertências e contraindicações da bula brasileira não estavam disponíveis; consulte a bula para informações complementares.

Conclusão e Próximos Passos

Decisão: Hold

Justificativa:

  • Apesar da pontuação alta do TxGNN (99,82%), não há ensaios clínicos e a literatura é indireta (epidemiologia e antibiogramas). Um estudo comparativo em febre tifoide relatou eficácia clínica de apenas 36,4% com amicacina, contra 100% com ofloxacino. A penetração intracelular limitada dos aminoglicosídeos e a existência de alternativas estabelecidas (azitromicina, cefalosporinas de terceira geração, fluoroquinolonas) reduzem o interesse da proposta. Além disso, os três registros no Brasil estão cancelados.

Para prosseguir, é necessário:

  • Obter a bula da ANVISA com advertências e contraindicações (lacuna bloqueante na triagem de segurança).
  • Obter dados do mecanismo de ação (por exemplo, via DrugBank).
  • Gerar dados clínicos comparativos de amicacina na febre paratifoide ou entérica, incluindo a penetração intracelular e o desempenho frente a esquemas padrão.
  • Definir via de administração e forma farmacêutica compatíveis e verificar a situação regulatória atual (não há registro vigente no Brasil).
  • Avaliar o perfil de risco de nefrotoxicidade e ototoxicidade e o plano de monitoramento, dadas as contraindicações indicadas.

    Aviso de isenção de responsabilidade

Este conteúdo é apenas para fins de pesquisa e não constitui aconselhamento médico. É necessária validação clínica antes de qualquer aplicação clínica.



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